16 novembro 2019

Resenha: Mr. Mercedes - Stephen King

em 16 novembro 2019

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Nas frigidas madrugadas, em uma angustiante cidade do Centro-Oeste, centenas de pessoas desempregadas estão na fila para uma vaga numa feira de empregos. Sem qualquer aviso um motorista solitário irrompe no meio da multidão em um Mercedes roubado, atropelando os inocentes, dando ré e voltando a atropelá-los. Oito pessoas são mortas, quinze feridos.
Em outra parte da cidade, meses mais tarde, um policial aposentado chamado Bill Hodges é ainda assombrado por um crime sem solução. Quando ele recebe uma carta enlouquecida de alguém que se auto-identifica como privilegiado e ameaça um ataque ainda mais diabólico, Hodges acorda de sua deprimente e vaga aposentadoria, empenhado em evitar outra tragédia.
Brady Hartfield vive com sua mãe alcoólatra na casa onde ele nasceu. Ele adorou a sensação de morte sob as rodas da Mercedes, e ele quer aquela corrida de novo. Apenas Bill Hodges, com um par de aliados altamente improváveis, pode prender o assassino antes que ele ataque novamente. E eles não têm tempo a perder, porque na próxima missão de Brady, se for bem sucedido, vai matar ou mutilar milhares.
Mr. Mercedes é uma guerra entre o bem e o mau, do mestre do suspense, cuja visão sobre a mente deste obcecado assassino insano é arrepiante e inesquecível.


                                             Ficha Técnica Da Obra
Páginas: 400 | Ano: 2016 | Idioma: Português | Editora: Suma de Letras | ISBN: 9788556510020 | Gênero: Crime / Literatura Estrangeira / Romance policial / Suspense e Mistério | Skoob Livro gentilmente cedido em parceria com a editora.

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Essa parece ser a melhor chance deles, provavelmente a única. Ele levantou a cabeça para ver o que estava acontecendo, mas um pneu enorme consumiu sua visão. Ele sentiu a mão da mulher agarrar seu antebraço. Houve tempo de torcer para que o bebê ainda estivesse dormindo. E aí, o tempo acabou.

Mr. Mercedes é um livro diferente do que estamos acostumados a receber de Stephen King. Aqui, ele deixa de lado o terror sobrenatural e inexplicável de suas histórias, e parte para uma realidade, humana e muito compatível com a atualidade. O que, sinceramente, assusta mais. 

Nossa história começa numa feira de empregos no centro da cidade. Centenas de pessoas estão na fila de madrugada para ter a chance de conseguir um dos poucos empregos disponíveis. Entre eles, uma mulher tão pobre, que não pode pagar uma babá para sua filha. Ela amamenta a criança em um saco de dormir, longe dos olhares indiscretos na chuva. A multidão de pessoas desesperadas cresce aos milhares quando amanhece. É nesse ponto, que Brady Hartsfield lança um Mercedes SL500 inteligentemente roubado, nos candidatos. Mãe e a filha não sobrevivem.

Não há mistério em relação a quem seja Mr. Mercedes. O leitor sabe desde o início que Brady Hartsfield cometeu essa atrocidade e que Bill Hodges é o detetive, agora aposentado, que não conseguiu pegá-lo. Com esses elementos, Mr. Mercedes
poderia ser uma história clichê, mas não nas mãos do mestre King. Ele consegue criar personagens e atos tão assustadores ou mais quanto aqueles monstros ou fantasmas que ele sempre nos apresenta. 

Hartsfield, a mente doente da narrativa, é um personagem soberbo e perturbador. Um jovem que trabalha em dois empregos: um técnico de informática para idosos e um vendedor de sorvetes distribuindo doces para crianças. Ele então vai para casa e planeja atrocidades, lê sobre fabricação de bombas e tem um relacionamento completamente desagradável e inadequado com sua mãe. Hartsfield tem um q de doente mental e terrorista, o que melhora tudo.

Brady sai do mundo das lembranças, um devaneio tão profundo como hipnose, e descobre que está com o colo cheio de plástico picado. Ele não sabe de onde aquilo veio.

Hodges parece ser um daqueles policiais comuns. Ele está à beira do alcoolismo e, ocasionalmente, tem pensamentos suicidas. No entanto, uma carta anônima de Mr. Mercedes o faz voltar a ação. De repente, ele tem um objetivo e pretende se redimir. Usando seu carisma natural e seu talento investigativo, ele começa a rastrear Mr. Mercedes, revendo as anotações do antigo caso e descobrindo coisas sobre os envolvidos e sobre si mesmo, que ele não gosta.

Vale mencionar os personagens secundários. Janey Patterson, irmã do dono original do carro usado no ataque, também quer se vingar de Mr. Mercedes, pois suas cartas levaram sua irmã ao suicídio. Ela é uma mulher jovem e a primeira pessoa que Hodges conhece ao investigar o crime. Ela acaba se tornando importante para ele, trazendo um pouco de cor à sua personalidade sombria. As cenas entre os dois são bem escritas, King zombando do excesso de peso Hodges e sua busca por uma bela jovem.

Os outros dois personagens que ajudam Hodges em sua investigação são Holly Gibney, sobrinha de Janey, e o garoto da escola local, Jerome Robinson. Holly é uma mulher mentalmente perturbada, mas altamente inteligente, sob a escravidão de sua mãe tirânica. Suas interações com Hodges e o envolvimento subsequente a tiram de si e, como Hodges, ela encontra um objetivo em tentar rastrear o assassino.
Jerome Robinson é um complemento perfeito para Hodges. Um garoto espirituoso e um gênio em computadores, Jerome constantemente atualiza Hodges com a tecnologia do século XXI, geralmente acompanhada de piadas sobre a idade do ex-policial. É a empatia e a conexão de Hodge com Jerome que impulsionam o ritmo do romance quando ele chega ao seu final agonizante.

As últimas páginas guiam para um desfecho emocionante, criando um final que encaixa e esclarece tudo. O leitor vai mergulhando em mentes, em casas e em segredos que, pouco a pouco, juntando cada pedaço, vão construindo o todo. A leitura é pra quem gosta de boas investigações, mas também gosta das profundezas da mente humana, e quão escuros esses lugares podem ser e se tornar.

Vão se lembrar de mim, ele pensa enquanto para na beira da estrada, esperando o momento certo para poder atravessar e voltar para o hotel. Vou deixar uma marca no mundo. Vou entrar para a história. Ele fica feliz por não term atado o ex-policial gordo. É bom Hodges estar vivo para ver o que vai acontecer hoje. Ele tem que lembrar. Tem que viver com isso.

Com uma edição linda e muito bem feita, a Suma caprichou nas capas e na arte. O livro é leve, bem revisado e a fonte, apesar de um pouco pequena, é agradável. A arte em relevo é muito bonita, e a capa condiz com a história e também com a versão original, o que eu sempre prefiro. 


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