31 julho 2019

Resenha: O Nome da Morte - Klester Cavalcanti

em 31 julho 2019

16 comentários

Júlio Santana bem que poderia ser um personagem de ficção. Melhor seria. Mas ele tem identidade, endereço e família. Este corajoso O nome da morte conta a história desse cidadão brasileiro, pistoleiro por profissão, que em 35 anos matou quase 500 pessoas. O livro do jornalista Klester Cavalcanti não deixa passar nada. A personalidade do matador, a narração dos assassinatos, os nomes dos mandantes e das vítimas. Em O nome da morte, pela primeira vez um matador de aluguel mostra a cara e a alma. Vencedor do Prêmio Jabuti de 2006, o livro, que já foi publicado em 13 países, ganha agora uma versão cinematográfica.

                                                            Ficha Técnica Da Obra
Páginas: 236 | Ano: 2018 | Idioma: Português | Editora: Planeta | ISBN: 9788542213720 | Gênero: Não-ficção / Literatura Brasileira | Skoob | Livro gentilmente cedido pela editora

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O calor era intenso. Mas Júlio sentia um frio estranho e um embrulho no estômago. Encolhido entre árvores seculares, algumas com mais de 40 metros de altura, ele mantinha o pescador sob a mira de sua espingarda.


Em O Nome da Morte encontramos os relatos reais de Júlio Santana, o homem que alega ter matado quase 500 pessoas por dinheiro. Um matador de aluguel. Com uma história simples, o matador diz ser pistoleiro porque não sabe fazer outra coisa na vida e precisa garantir a sobrevivência da sua família.

Seus pagamentos são feitos em dinheiro, arroz, feijão, queijo, cachaça e outros itens que lhe interessam. E se você pensa que ele faz de tudo está enganado. Julio segue a risca um código de honra ensinado pelo seu tio policial militar, Cícero Santana, que o apresentou à profissão quando tinha apenas 17 anos de idade. Matar é trabalho de família.

Klester é jornalista, diz ter custado longos sete anos para convencer o Júlio Santana a contar sobre seus feitos de pistoleiro. O medo deste era ser reconhecido e ter que esclarecer seus feitos á justiça.
Gostei bastante de como as 'aventuras' de Júlio são contadas, o livro detalha como foram os primeiros trabalhos, e como ele ficou abalado, sim, com essa reviravolta que sua vida de jovem simples do interior do norte, sem grandes vontades ou sonhos teve.

A narrativa ganha ritmo bem lá pelo meio, quando o jovem conhece o sexo pela primeira vez, e depois se envolve na guerrilha, auxiliando os soldados do Exército Brasileiro a perseguir e capturar guerrilheiros comunistas. Sua função era guiar os soldados pela floresta.

Vale mencionar, que ainda tendo gostado do livro num todo, eu senti falta da promessa da sinopse, que te vende um livro cheio de fatos sobre um homem que era pago pra matar, mas na realidade, temos uma narrativa um pouco arrastada, que ganha força com dois relatos, que por assim dizer, são os mais conhecidos dele, que foram a captura de José Genoíno e a segunda morte, onde o autor descreve de forma detalhada como o ex-político José Genoíno (PT) e a guerrilheira Maria Lúcia Petit (PCdoB) cruzaram o caminho de Júlio Santana durante a Guerrilha do Araguaia, em 1972, e outros casos de perseguição aos militantes políticos durante a Ditadura Militar.

Cabe ressaltar que há certo exagero na exploração dessas duas histórias. Acredito que boa parte devido ao “valor histórico” que esses militantes têm para o país. Há muitos dados, fotos e registros que ressaltam a importância aos dois casos em comparação às demais vítimas do pistoleiro, consideradas “pessoas comuns”. Enquanto que em alguns casos o autor descreve o assassinato de forma sucinta, nesse capítulo ele capricha nos detalhes e apresenta dados comprobatórios que torna a narrativa demasiadamente descritiva e pouco fluida.


Genoíno sentiu com se uma navalha lhe cortasse o braço. Estava tão aturdido que não tinha certeza do que havia acontecido. Soltou o saco plástico que carregava e levou a mão esquerda ao local do ferimento. A manga da camisa já estava molhada de sangue.


Pra quem procura um grande junto jornalístico, acredito que este não é muito bem o caso deste livro, pois apesar de ser nesse sentido, senti falta de mais informações sobre todos os casos, ou boa parte deles, porque claro, também, que seria quase que impossível lembrar de tantas mortes em detalhes..
Mas achei a narrativa simples e sem maiores complicações. 

A edição é muito bonita, o meu livro possui a capa do filme, estrelado por Marco Pigosi, segue o trailer do filme, que ainda não assisti.







16 comentários:

  1. Apesar da promessa da premissa dele não se cumprir é um livro interessante, contando relatos de um assassino de aluguel é sempre curioso. Eu já ia gostar só pelo fato de ser real.
    Aqui na minha região existia um matador de aluguel chamado Setembrido. Ele trabalhou entre a década de 70 e 80 no auge..Tem muita história doida desse homem hahahaha

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  2. Estou acompanhando a novela das 21h na globo onde tem alguém que também ganha a vida assim, e mesmo ali na TV me parece muito longe do real. Mas é só saber desse livro e ver o trailer que chego a ficar arrepiado, como se agora sim a ficha caiu de que isso é real e acontece.
    Uma pena um livro que demorou tanto pra sair não ter de agradado principalmente por não ter um cunho jornalístico tão bom. No início do post fiquei interessado, mas após ler sua opinião pensei duas vezes em tentar ler ou não o livro.
    Abraço.

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  3. Olá, Aline.

    Estou chocada com o tema desse livro, pois apesar de tudo, o homem ainda conseguiu sair impune da justiça.
    Esse é o tipo de livro que me agradaria se fosse uma leitura rápida, mas pelo que vi é o contrário disso, então irei passar a dica dessa vez!

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  4. Antes de mais nada, preciso dizer que estou apaixonada por esse funko hahahahaha
    Achei a premissa interessante e acredito que mesmo com as ressalvas, daria uma chance para a leitura. Gostei do tema do livro =)

    Sai da Minha Lente

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  5. Oiii

    De momento não foi um livro que me interessou, realmente essa narrativa arrastada me desmotiva, mas o tema é bem diferente, algo que poderia ter sido bem explorado e se transformado numa leitura de grande impacto. Por enquanto não sei se leria, mas quem sabe um dia me animo

    Beijos, Alice

    www.derepentenoultimolivro.com

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  6. Ontem estava colocando alguns filmes na minha lista lá no Telecineplay e vi esse, mas não é meu estilo então nem busquei mais informações. Aí hoje vindo aqui no seu blog li suas impressões e tive certeza que não é mesmo meu estilo de leitura nem de filme, mas gostei de conferir sua opinião.
    Parabéns pela foto e pelo ótimo texto. Abração.

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  7. Oi Aline.

    Eu tenho muita vontade de ler esse livro justamente por causa da sinopse. Achei bem criativa e despertar interesse por causa dele ser matador,mas sua resenha trouxe informações que não sabia. Especialmente pela narrativa arrastada. Caso apareça uma oportunidade vou lê-lo,mas sem prioridade. Parabéns pela resenha.

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  8. Olá, tudo bem?
    Achei a trama bem diferente, não é um livro que me chame muito a atenção no momento, mas já anotei a dica e quem sabe eu não leia no futuro...
    Um beijo.

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  9. Nossa, eu não fazia ideia dessa história. Fiquei surpresa, e um pouco escandalizada. hahahaa
    Que interessante ter um filme. Eu acho que se eu fosse pela sinopse, gostaria de ler o livro logo. Mas, sua resenha fala sobre "prometer mais do que entrega" e isso às vezes me dá uma preguuiiiiçççaaaa.
    Abraços

    Carol, do Coisas de Mineira

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  10. Lendo a sua resenha tive certeza que não é um livro que me atrai, ainda tem o fato de prometer algo e não entregar, a narrativa arrastada também é algo bem chato.

    Bjo
    Tânia Bueno

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  11. Eu fiquei um puco assustada com a coragem do jornalista e acho que não leria o livro porque gente, 500 pessoas é muita morte!!! Muita mãe, irmã, filho, pai que perdeu alguém. Outra coisa que me assustou na resenha foram as capsulas de balas nas fotos... rs Mulher, onde você arrumou isso???
    bjs

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  12. Oi Aline,
    Jesus amado, história de filme de bang bang né? Não da pra acreditar que tenha alguém que realmente viva com esse tipo de trabalho e em contra partida que existam clientes. Mas enfim, o mundo é o que é independente de nossas crenças né? Achei muito interessante a premissa da história, mas não sei se teria coragem de ler hahaha.

    Beijokas

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  13. Olá Aline, pela sinopse eu tinha ficado bem curiosa para fazer a leitura, é uma pena que tenha focado bem mais nesse dois casos famoso do que nos demais e que a leitura tenha ficado um tanto arrastada =/ Adorei a resenha *-*

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  14. Ooi,
    Eu não sou muito fã de histórias reais e acho que só por isso já tenho que deixar a dica passar. Mas seu comentário sobre o ritmo do livro me desanimou ainda mais, se ele só engrena no meio, com certeza eu não teria paciência de terminar.

    beijoos

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  15. Oiiii,

    Eu gosto de ler histórias reais, mas essa foi uma que não despertou muito do meu interesse e nem sei explicar porque, só não rolou a conexão mesmo.
    Mas gostei de ler a sua opinião e saber se algo mudaria essa opinião minha.

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  16. Olá Aline!!!
    Livros que parecem autobiográficos ou que seguem essa linha não são muito atrativos pra mim e eu meio que não dou muita chance aos mesmos. Eu achei o enredo interessante, mas quando você disse que a história só ganha força lá pelo meio me desanima mais a dar uma chance.
    Gostei da sua sincera opinião e o que você disse sobre o livro.
    Parabéns pela resenha!!!

    lereliterario.blogspot.com

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