10 maio 2019

Resenha: O Caminho de Abraão - Jamil Chade

em 10 maio 2019

14 comentários

Os horrores da guerra da Síria e a tocante história do patriarca das maiores religiões do mundo se entrelaçam no primeiro romance do jornalista Jamil Chade Neste romance histórico, estreia do jornalista Jamil Chade na ficção, acompanha-se a trajetória de Hagar, uma francesa filha de imigrantes argelinos que supera todas as limitações de sua vida na periferia de Marselha para estudar nas melhores universidades da França. Contratada por uma multinacional, ela é enviada para coordenar investimentos milionários de uma fábrica de cimento na Síria, antes da guerra. Mas o confronto iniciado em 2011 leva a jovem a cumprir ordens criminosas de sua direção em Paris, e ela se envolve em um dos conflitos mais sangrentos e cruéis das últimas décadas. A história de Hagar se entrelaça, então, à de milhares de sírios que tentam driblar diariamente a morte, na tentativa desesperada de escapar dos horrores da guerra. Nessa fuga, seus caminhos pelo Oriente Médio acabam refletindo os míticos passos que Abraão, o patriarca das três grandes religiões monoteístas do mundo, traçou há milênios.

                                                      Ficha Técnica Da Obra

Páginas: 304 | Ano: 2018 | Idioma: Português | Editora: Planeta | ISBN: 9788542211238 | Gênero: Literatura Brasileira | Skoob | Livro gentilmente cedido em parceria com a editora


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O que era um momento de conquista, de orgulho, havia se transformado rapidamente em um drama. ou melhor, em uma encruzilhada.

 O Caminho de Abraão é o romance de estréia do jornalista Jamil Chade. Nessa trama conhecemos  Hagar, nossa protagonista, que é filha de imigrantes argelinos,  moradores na cidade francesa de Marselha, e que apesar de todas as barreiras e dificuldades, consegue ser muito boa estudante e garantir uma vaga em uma das melhores universidades da França.
Hagar se forma bem no período em que uma grande crise econômica começa no mundo e milhares de pessoas se veem desempregadas.
Recém formada e decepcionada por não conseguir trabalhar com o que era seu sonho de garota, ela resolve ir embora de Paris e voltar para Marselha. Uma vez lá, ela começa a perceber que seus pais contavam com sua ajuda financeira após os estudos e um emprego em uma multinacional surge na hora mais apropriada e necessária.
Ela é enviada para coordenar investimentos milionários de uma fábrica na Síria, antes da guerra. Mas o confronto iniciado em 2011 leva essa jovem mulher a cumprir ordens criminosas de seus superiores. 
A partir desse ponto, ela passa a se confundir com a história de milhares de sírios que, desesperadamente, tentam fugir diariamente da morte. Sua fuga e caminho pelo Oriente Médio, repete o que Abraão, o patriarca das três grandes religiões monoteístas, traçou de forma histórica, há milênios.

Nessa jornada, também me questionei insistentemente sobre o que, de fato, levava alguém a manter sua religiosidade. Seria o medo, a busca por uma aprovação ou realmente convicção pessoal?

Ao longo do livro o leitor é levado a contestar conceitos e instituições, se questionar o que de fato faz alguém pertencer a esta ou á aquela nacionalidade. Se um pedaço de papel, o local do seu nascimento, ou a religião que você professa.
Vale muito a reflexão sobre o momento que estamos vivendo, onde milhares de pessoas de várias partes do mundo estão sendo obrigadas a abandonar seu lar, seu país e sua cultura, para sobreviverem a uma guerra que não lhes pertence, causada pela ambição e ódio dos grandes.
A mensagem aqui, vai muito além da história da protagonista, ou de sua família, é um apelo contra a xenofobia e demagogia. Um grito contra líderes hipócritas que matam, violentam e destroem, em nome de um suposto bem maior. 
Aconselho muito este livro para quem gosta desse assunto, mas principalmente, aconselho para quem pensa que um país não pode receber pessoas de outras nacionalidades com refugiados, que acham que 'fechar as portas' pode ser uma solução melhor e mais segura. 

Cada geração acredita que tem o dever de refazer o mundo. A minha sabe, porém, que ela não o fará, mas a tarefa é, provavelmente, ainda maior. Ela consiste em impedir que o mundo se desfaça.

14 comentários:

  1. Nossa achei a premissa do livro muito interessante e o fato de provocar reflexões sobre a realidade do momento e o nosso momento atual é demais. Complicado para algumas pessoas dar abrigo para pessoas refugiadas da guerra que rouba, ceifa/aniquila enquanto os poderosos que a provoca nada sofrem e continuam nadando de braçada na segurança e na riqueza. Lamentável.

    Bjo
    Tânia Bueno

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  2. Não conhecia o livro, mas já adorei a premissa! Gosto de livros baseados nessa época e principalmente aqueles que trazem grandes lições e reflexões. Já vou colocar na minha listinha.

    Beijos,
    PS Amo Leitura

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  3. Oi Aline.

    Eu ainda não tinha visto este livro e pela sua resenha, este é um romance bem interessante. Será uma ótima oportunidade para conhecer a escrita da Jamil Chade. Anotei a dica e parabéns pela resenha.

    Bjos
    https://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com/

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  4. Ola, Aline.

    Me senti surpreendida com essa história, parece até ser um livro baseado na história real de alguém. Infelizmente a história é bem parecida com a realidade de muitas pessoas hoje em dia.
    Gostei da premissa do livro e com certeza se eu tiver a oportunidade irei lê-lo!

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  5. Olá, tudo bem? Nossa parece que o livro tem mensagens bastante importantes. Gostei bastante da sua forma de resenha, o que me despertou o interesse. Acho que não li nada parecido da temática, por isso, com certeza dica anotada!
    Beijos,
    https://diariasleituras.blogspot.com

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  6. Eu ainda não conhecia o livro, mas gostei da proposta dele e o tema abordado me interessa em leituras. Achei uma ótima indicação e fiquei com vontade de ler.

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  7. Sempre gostei de ler histórias que trazem culturas e costumes de outros países. O Oriente Médio, inclusive chama muito atenção, pelo modo vida e principalmente pela situação da mulher na sociedade. Inclusive, estou lendo um livro que trata do assunto, "Mulheres sem homens" da escritora iraniana Shahrnush Parsipur. Indiquei sua resenha pra uma amiga que ama histórias assim, e também coloquei o livro nos meus desejados do Skoob e me surpreendi com a dele, 4.6.

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  8. Oi, Aline.
    Já tinha visto esse livro nas livrarias, mas não sabia muito sobre ele.
    Lendo a sua resenha, me pareceu uma história bem emocionante e importante para os dias atuais! Não é algo que eu costume ler, mas vou anotar a dica!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  9. Oi! Ainda não tinha lido nada sobre ele, mas tenho a impressão de q já vi a capa por ai. O livro parece ser mto bom e emotivo, não sei se leria agora, mas certamente é uma leitura q gostaria de fazer num momento propício

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  10. Gostei da premissa dessa história, de ela abordar a situação das pessoas na Síria, em meio à guerra e o que são capazes de fazer numa tentativa de sobrevivência. Também penso que é uma questão de humanidade, de amor ao próximo, manter as portas abertas para os refugiados, que são pessoas como nós, necessitando de paz para viver, que já estão traumatizados o suficiente com a violência e não necessitam da intolerância dos ignorantes.

    É um livro que eu gostaria de ler.

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  11. Olá!
    Achei bem interessantes os pontos destacados nesse romance de estréia. É triste se deparar com essas guerras e lutas políticas, mesmo que a gente viva isso diariamente de uma forma completamente diferente ainda assim não consigo mensurar o que essas pessoas do Oriente Médio vivem.
    Parece ser uma leitura impactante, reflexiva e muito necessária pra entendermos um pouco mais sobre o destino de milhões de pessoas que são vítimas dessas situações.

    Camila de Moraes

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  12. Não conhecia o livro, mas fiquei bem interessado na história que parece ser intensa e repleta de surpresas. Anotei o nome, pois minha curiosidade está bem aguçada para saber da sua história na íntegra. Excelente dica.

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  13. Parece ser uma leitura realmente reflexiva. Nunca tinha lido nada sobre a obra, e sua resenha me deixou curiosa para conferir. Adorei!
    beijos

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  14. Olá Aline, eu não conhecia esse livro, mas pelos seus comentários o enredo dele parece ser muito bom e cheio de reflexões, além de o autor ter feito um bom trabalho de ambientação histórica *-* Adorei a dica e sem duvida vou querer lê-lo e acompanhar todas essas dificuldades que a protagonista vai ter que superar.

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