08 abril 2019

Resenha: Fique Comigo - Ayòbámi Adébáyò

em 08 abril 2019

12 comentários

Yejide espera por um milagre: um filho. É o que seu marido deseja, o que sua sogra deseja, e ela já tentou de tudo para engravidar. Mas, quando seus parentes insistem que seu marido receba uma nova esposa, Yejide chega ao limite. Tendo como pano de fundo a turbulência política e social da Nigéria dos anos 1980, Fique comigo relata a fragilidade do amor matrimonial, o rompimento de uma família, o poder do luto e os laços arrebatadores da maternidade. Uma história sobre as tentativas desesperadas que fazemos para salvar a nós mesmos, e a quem amamos, do sofrimento.


Ficha Técnica Da Obra
Páginas: 256 | Ano: 2018 | Idioma: Português | Editora: HarperCollins Brasil | ISBN: 9788595083202 | Gênero: Ficção, Literatura Africana, Maternidade, Drama, Tag Experiências Literárias Skoob | Livro recebido em parceria com editora

                                
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" As vezes, confiar é mais fácil do que duvidar."

Fique comigo é um livro de drama que foi lançado primeiramente pela Tag ano passado, e meses depois pela HarperCollins, e fiquei muito feliz pois estava vendo ótimas críticas dele por aí e queria ler ele com certeza. Fui adiando, adiando e quando finalmente peguei esse livro pra ler não consegui mais parar, foi um dia intenso de leitura, mas que com certeza ficará marcado no meu coração pra sempre.

Aqui temos a história de um casal que começa em 1980 na Nigéria, Yejide e Akin se conheceram e logo se apaixonaram, e o casamento não demorou pra chegar, diferente dos filhos que após quatro anos de casamento ainda não chegaram, fazendo com que a família de Akin o faça arrumar uma segunda esposa (algo comum na cultura Iorubá), na esperança de que quando ela tiver um filho isso estimule a primeira esposa a engravidar também.

Yejide não aceita muito bem a notícia, se sente traída pois seu marido era a única pessoa em que ela podia confiar, e ela estava se esforçando muito para tentar engravidar, ela queria muito um filho de seu marido, mas parece que ninguém estava percebendo esse esforço. Mas quando a gravidez realmente acontece aquilo que poderia salvar o seu casamento acaba sendo a maior ruína da sua vida, e de todos ao seu redor.

"É isso, então: quinze anos aqui e, embora minha casa não esteja pegando fogo, tudo que vou levar comigo é uma sacola de ouro e uma muda de roupa. As coisas que importram estão dentro de mim, encerradas em meu peito como em um túmulo, onde permanecerão para sempre, meu baú de tesouros sepultadas."


"Amei Yejide desde o primeiro momento. Não tenho dúvida. Mas há coisas que nem mesmo o amor é capaz de fazer. Antes de me casar, eu acreditava que o amor podia tudo. Porém, logo descobri que ele não era capaz de suportar o peso de quatro anos sem filhos."

A história é muito rica na cultura Iorubá, a autora mostra como as mães/sogras tinham suas fortes crenças baseadas na cultura antiga, como rituais para engravidar, rituais para espantar maus espíritos e tantas outras ações que envolvem a vida em comunidade dessas famílias. É meio estranho ler algumas partes no começo sobre essa cultura, pois é algo completamente diferente do que vivenciamos aqui, em alguns momentos podemos estranhar tais acontecimentos, tratamentos, ações dos personagens, mas analisando todo contexto cultural e da época em que o livro se passa torna o livro tão rico, afinal a autora nos coloca tão bem nesse núcleo que terminamos a leitura com vontade de conhecê-la mais, apesar de não concordar muito com o machismo sofrido pelas mulheres. Além das crenças e ritos também conhecemos várias histórias de ninar típicas da cultura Iorubá, é lindo ler Yejide reproduzindo-as.

A autora também insere muito o contexto político da Nigéria a partir dos anos 1980, todos os golpes e mudanças que o país passou. É muito interessante ver todo esse contexto social e como as pessoas passavam por tais mudanças, que na maioria das vezes não eram nada amigáveis ou seguras para a população.

O tema central desse livro é a maternidade, e principalmente como a mulher tem um papel tão pesado nesse tema. No começo da história Yejide não consegue engravidar, e é triste ver como ela é tratada pelos familiares, como ninguém se importa com sua dor de não conseguir carregar uma criança, chegando ao ápice de sugerirem outra esposa para seu marido, para que ele tenha herdeiros, mesmo que não seja da mulher que ama e se uniu como 'primeira esposa'.

O livro é dividido em quatro partes, e não posso dizer muito o que acontece em cada uma pois seria muito spoiler, e esse livro é muito bom não saber quase nada para nos surpreendermos com as coisas que acontecem na vida desse casal que está tentando tanto ter filhos. Mas um dos pontos que me chamou muita atenção é como a autora mostra que as vezes o amor não é suficiente, como a solidão pesa muito em um relacionamento, principalmente quando você não tem ninguém para te amparar, para conversar sobre o que está acontecendo e para chorar nos momentos de crise.

A história é intensa, é surpreendente e prende o leitor de uma maneira que é impossível de explicar pra vocês, é um livro para sentir cada palavra, cada frase e cada sentimento, até mesmo os mais tristes (e olha que não são poucos), mas é uma história linda, cheia de reflexões e que fala muito sobre solidão, perda e o peso da maternidade na vida da mulher. É uma leitura com muito drama, muitos sentimentos e que vai acertar em cheio todos os leitores, mas principalmente as mulheres.

"Eu tinha esperado a vida inteira por um filho, um filho meu, uma criança para quem eu pudesse contar histórias. Não estava disposta a esperar nem mais um minuto."



"Há coisas que os testes científicos não podem mostrar, coisas como o fato de que a paternidade é mais do que uma simples doação de esperma."

12 comentários:

  1. Olá.

    Não conhecia esse livro, mas da pra ver que é um livro bem pesado e real.
    Nunca li livros que se passam na Nigéria e nem conhecia essa crença, mas fiquei bem abalada por saber que eles seguem um ritual assim, imagino o quão triste deve ser para as esposas vivenciar uma situação dessa.
    Se eu tiver a oportunidade, com certeza irei ler o livro futuramente

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  2. Oi Aline.

    Também li este livro e gostei bastante a escrita da Ayobami. Concordo com você, é uma leitura intensa que surpreende do começo ao fim.Ela mostra uma cultura que não estamos acostumados a vivenciar. Parabéns pela resenha.

    Bjos
    https://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com/

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  3. Parece ser uma leitura daquelas, fiquei ansiosa só de ler seu post. Acho interessantes conhecer culturas bem diferentes da nossa através da leitura, como é esse caso.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  4. Adorei o enredo, fiquei curiosa para saber os por menores do enredo. Gosto quando um enredo traz contextos políticos, sociais e culturais de outras décadas; ainda mais quando se trata de tudo isso de outra nação. Vou anotar a dica, pra um dia oportuno.

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  5. Confesso que não me lembro de alguma vez ter lido um livro com a temática de "crise no casamento / maternidade", mas gosto quando os livros tem temáticas sócio-culturais e este parece ser o caso de Fique Comigo. Espero ter a oportunidade de ler.

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  6. É a primeira vez que leio uma resenha deste livro e me encantei! Nunca li nada com a cultura abordada aqui e nem com o tema tão forte como a maternidade. Me encantei com a premissa e vou correndo adicionar na minha lista. Espero ter oportunidade de ler. Parabéns pela resenha!

    Beijos,
    Blog PS Amo Leitura

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  7. Oiê!!!
    E aquela vontade enorme de ler um livro depois de uma resenha incrível? É a que estou sentindo! Nunca tinha lido nada sobre esse livro e agora estou mais do que curiosa por ele!

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  8. Oi, Aline.
    Adorei a sua resenha, mas não tenho vontade de ler esse livro.
    Estou procurando leituras mais leves e acho que essa história não é para mim!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  9. Olá sempre tive curiosidade de ler este livro, adorei sua resenha fiquei mais empolgada pela obra, espero ter a oportunidade de ler em breve!

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  10. Não conhecia o livro e adorei ser apresentada a ele. Bacana porque me apresenta a uma cultura que não conheço e sendo um livro que prende o leitor, isso também me cativa. É interessante como algumas culturas culpa a mulher por não engravidar e aí fico com uma questão que me incomoda: a mulher é apenas uma parideira? Caramba!

    Bjo
    Tânia Bueno

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  11. Oi Aline,
    Já tinha visto sobre esse livro mas não sabia do que se tratava. É legal ver que além do casamento, da maternidade, a autora trouxe uma cultura diferente. Fiquei intrigada para saber mais desse enredo e saber que te agradou me deixa animada para ler.
    Espero me sentir cativada assim como você!

    Camila de Moraes

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  12. Olá Aline, eu não conhecia esse livro, mas pelos seus comentário o enredo parece estar bem bacana e a autora parece ter conseguido passar bem a cultura retratada *-* Sem duvida fiquei bem curiosa para lê-lo e conhecer um pouco mais sobre esse povo <3 Adorei a dica.

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