11 março 2019

Resenha: A guerra que me ensinou a viver - Kimberly Brubaker Bradley

em 11 março 2019

21 comentários


A Guerra Que Salvou a Minha Vida ganhou um lugar especial no coração dos leitores brasileiros. A história da pequena Ada - que, com seu irmão caçula, deixou para trás sua casa em Londres para escapar dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial - arrancou lágrimas, sorrisos e suspiros na mesma medida. Com o coração repleto de esperança e afeto, a DarkSide® Books orgulhosamente apresenta A Guerra Que Me Ensinou a Viver, a emocionante continuação do livro de Kimberly Brubaker Bradley. Após uma infância de maus-tratos, Ada finalmente recebe o cuidado que merece ao ter seu pé operado. Enquanto tenta se ajustar à sua nova realidade e superar os traumas do passado, ela se muda com Jamie, lady Thorton e Susan — agora sua guardiã legal — para um chalé em busca de um recomeço. Com a guerra se intensificando lá fora, as adversidades batem à porta: o racionamento de alimentos é uma preocupante realidade, e os sacrifícios que todos devem fazer em nome do confronto partem corações e deixam cicatrizes. Outra questão é a chegada de Ruth, uma garota judia e alemã, que gera uma comoção no chalé. Seria ela uma espiã disfarçada? Ou uma aliada em meio à calamidade? Mais uma vez, Kimberly Brubaker Bradley conquista com sua narrativa carregada de sensibilidade. Seu registro historicamente preciso revela o conflito armado pela perspectiva de uma criança, além de lançar luz sobre a atual crise de refugiados, a maior desde a guerra de Hitler, que já obrigou milhões de pessoas a deixarem seus lares em busca de paz. Discutindo assuntos delicados com ternura, a autora guia o leitor por uma jornada que mostra a beleza dos pequenos gestos. E, ao revelar as camadas de seus personagens, apresenta uma história sobre amadurecimento e aceitação — principalmente para Ada, que precisa aprender a acreditar. Acreditar em sua família e em si mesma. Na resiliência que vem da dor. Na superação que vem do medo. Na empatia, que reacende a humanidade. E no amor, é claro. Em sua forma mais pura e sincera. A Guerra Que Salvou a Minha Vida foi vencedor de diversos prêmios e adotado em escolas nos Estados Unidos. Agora, A Guerra Que Me Ensinou a Viver chega em uma edição capa dura e cheia de amor, como deve ser. A linha DarkLove ganhou mais um título que deixa marcado na memória que algumas heroínas salvam leitores pelo coração. Corajosa, justa e inteligente, Ada é realmente invencível.

                                                           Ficha Técnica Da Obra
Páginas: 280 | Ano: 2018 | Idioma: Português | Editora: DarkSide Books | ISBN: 97885945410117 | Gênero: YA, ficção, literatura estrangeira | Skoob | Livro de acervo pessoal


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É possível saber um monte de coisas e mesmo assim não acreditar em nenhuma delas.

Oi Stalkers! Trago para resenha hoje esse livro lindo de morrer, que eu amei ler, desde a primeira página do primeiro livro! Quem leu ' A guerra que salvou a minha vida ', já conhece os detalhes tristes da infância de Ada, a mãe abusiva e violenta, seu cativeiro em um único quarto em Londres, durante a Segunda Guerra Mundial, seu pé torto e a culpa e a vergonha que ela carregava por isso. O segundo começa quase exatamente de onde paramos, com Ada tendo feito sua operação para corrigir seu pé. Agora, que a maior responsável por sua dor foi removida, ela pode andar e até correr.
Ada descobre que agora ela deve redefinir quem ela é e quem ela sempre acreditou ser.
De certa forma, a estrutura dessa segunda parte não poderia ser mais simples. 'É possível saber um monte de coisas', diz Ada no começo do livro, 'e mesmo assim não acreditar em nenhuma delas' .
Essa é a âncora do livro. A jornada de Ada, entendemos, será sobre aprender a acreditar.

Os problemas físicos e externos de Ada são resolvidos rapidamente. Nos primeiros capítulos do livro, seu pé torto é consertado e ela está se recuperando em um hospital. Ela descobre que sua mãe horrível está morta, então Ada e seu irmão, Jamie, podem viver felizes com sua gentil guardiã, Susan, em um chalé confortável. Mas é claro que a jornada de Ada não é realmente física. Sua jornada é sobre a construção da crença em outras pessoas, em si mesma e em sua relação com o mundo e esse caminho é mais difícil.

Eu acho que, ainda que você possa ler este livro sem ter lido o primeiro, eu encorajaria fortemente os leitores a começar logo no começo. Há um sentimento tão bom em voltar a encontrar esses personagens, e é útil conhecer a história deles, embora as coisas sejam explicadas o suficiente para entender, caso não tenha lido. Eu me apaixonei por Ada pela primeira vez, mesmo quando ela está sendo um pouco desagradável, ela é uma personagem muito forte, corajosa e interessante. Ela age de maneiras inesperadas, o que se encaixa perfeitamente com quem ela é, e neste livro é fascinante vê-la lutando com conflitos de identidade. Ela está enfrentando certas dificuldades, em primeiro lugar, em se acostumar a não ser manca. Tudo o que ela sabe sobre si mesma parece estar virado de cabeça para baixo. Logo após a cirurgia, ela descobre que sua mãe foi morta em um ataque aéreo. Isso, em si, é uma questão difícil para ela lidar, dada sua terrível relação com a mãe. Também a deixa se sentindo isolada e sozinha, não mais a filha de alguém, e é a única responsável por seu irmão mais novo, Jamie.

Ada muitas vezes interpreta mal as situações e até a linguagem, e isso também pode causar problemas nos relacionamentos dela. Ela se esforça para permitir que Susan a ame, mas sempre acaba sentindo que deve estar constantemente em guarda para se proteger caso um próximo desastre aconteça, ou um momento de perigo aconteça com qualquer pessoa com quem ela se preocupe.

'Eu não diria à Susan que a amava, mesmo achando que fosse verdade. As palavras podiam ser tão perigosas e destrutivas quanto bombas.'

Eu gosto que, neste livro não há contorno sobre a escuridão da guerra, as pessoas morrem ou desaparecem, e quando é alguém próximo dos personagens principais, soa muito verdadeiro. É triste, tenebroso e difícil em algumas partes, mas é feito de forma tão brilhante e limpa, que eu não senti como algo tão longínquo assim. É exatamente o que um livro da Segunda Guerra Mundial deveria ser - horripilante e, ao mesmo tempo, edificante e glorioso.

As questões de identidade aparecem novamente com a chegada de uma jovem alemã, Ruth, que vem para ficar. Ruth é judia, mas é vista com desconfiança por todos graças à sua nacionalidade alemã. O livro lida com essas questões de forma sensível e pensativa, e eu gostei de ler o desenrolar da história de Ruth, lentamente e muito lentamente, Ada começa a confiar nela e, igualmente, Ruth retorna essa confiança. Também são mostradas questões de identidade relacionadas ao sistema de classes britânico, como Lady Thornton se vê expulsa de sua casa e tendo que dividir a casa com Susan, Ada, Jamie e Ruth. Afastando-se do seu estereotipado e elegante papel de lady inglesa, ela se torna um personagem muito mais interessante, cada vez mais prejudicado e desafiado pelas situações que a guerra impõe a ela. Eu me vi seriamente deixando de odiá-la para achar que ela era maravilhosa!

Questões da guerra, como serviço de vigias de incêndio, racionamento, garotas da fazenda e estar sempre alerta para espiões também estão entremeadas, então, você não sente como se estivesse recebendo uma aula de história, mas essa história deixa você com um conhecimento muito mais rico.

Raramente um livro 'infantil' é tão honesto em sua abordagem ao sofrimento e a possibilidade de que a recuperação nunca seja completa. Ada sempre vai mancar, e ela pode sempre sentir culpa por ser uma sobrevivente ou lutar para confiar naqueles que a amam. Desta forma, esse livro é ousado. Mas há conforto também, no desejo de Ada de amar e crescer. Porque é por Ada que você está esperando em cada virada de cada página. O que ela vai fazer depois? O que ela vai dizer? Será que ela alguma vez entenderá o quanto Susan se importa com ela, ou que ela está finalmente segura entre as pessoas que a amam e têm seus melhores interesses no coração? A gente entende e espera, porque, sabemos que Ada está passando por uma espécie de stress pós traumático, afinal, ela deixou toda a vida que conhecia para trás, abandonou tudo numa zona de guerra. E ir chegando a tudo isso foi maravilhoso, e o final foi particularmente comovente.

'Mas você também tem outras cicatrizes, não tem?' A Maggie rolou o corpo de costas. Vi que ela agarrava a beirada dos lençóis. 'Todo mundo tem. Invisíveis'

Ada é loucamente corajosa, e sua luta para superar seus traumas físicos e emocionais é retratada com humor, comovente e da maneira mais incrível.
Essa disposição de permitir o verdadeiro contraste é a maior força do livro. Desespero e esperança, frieza e calor, medo e confiança, fealdade e beleza. Os ossos se quebram mas se juntam. Uma escalada aterrorizante até um telhado revela um céu de tirar o fôlego, cheio de estrelas. As crianças são machucadas e depois curadas. E, no entanto, elas sempre terão sido quebrados. 'A guerra que me ensinou a viver' explora como a dor pode levar à força, ou o medo à alegria. No final, aceitamos que Ada carregará seu fardo. Mas também sabemos que ela vai trabalhar para ficar bem. O poder deste livro é que ele descreve, lenta e às vezes dolorosamente, que é possível não apenas viver com a dor, mas conviver com ela.

Estou dividida entre querer saber mais sobre Ada e ficar satisfeita em deixá-la aqui, neste momento de felicidade em sua vida. De qualquer forma, eu recomendo forte essa história, tanto para os adultos que não se importam se um livro é um chamado 'livro infantil', quanto para crianças com cerca de nove anos de idade ou mais. Você vai encontrar tudo que um bom livro é capaz de proporcionar: muita emoção, raiva, misturas de sensações e sentimentos e um final que te deixa rindo, acreditando que o mundo é sim, bonito.

'É possível saber um monte de coisas e um dia, enfim, acreditar em todas elas.'


21 comentários:

  1. Gente, esse livro deve ser tão emocionante.
    Gosto quando escritores usam da Segunda Guerra Mundial como plano de fundo pra suas histórias.
    Ada é muito corajosa, ter problemas físicos que cooperam para piorar ainda mais sua situação deixa o livro e a empatia por ela maior.
    Sua resenha tão emocionante... Conviver com a dor é algo necessário muitas vezes.

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  2. Foi uma das resenhas mais fortes que li até hoje sobre essa história, que de fato não é fácil de ler. As guerras deixam marcas, mas também bons ensinamentos. É muito bom ler sobre elas, e aprender um pouco com pessoas fortes que passaram por cima de tudo para viver. Parabéns pela resenha!!

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  3. Quero tanto ler esse livro, assim como primeiro que estão na minha lista de desejos. Gosto muito da temática que ele traz, ainda mais por fazer isso atraves dos olhos de uma criança. Uma pena que a mensagem que ele nos traz seja tão dolorosa, mas quero conferir e sua resenha reforçou minha vontade de ler.

    Abraços.

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  4. Oi, Aline!
    Eu acho a capa desse livro um amor, assim como o "A Guerra Que Salvou a Minha Vida". Ainda não li nenhum deles, mas parece que a história é bem comovente. Gosto muito de tramas que têm o contexto da Segunda Guerra Mundial, mas ainda não tenho certeza se leria este livro. Fico pensando se ele iria me deixar muito deprimida pelo fato de tudo se passar com uma criança. Mesmo assim, gostei muito do seu texto. Beijos!

    Jéssica Martins
    castelodoimaginario.blogspot.com

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  5. A DarkSide Books sempre tem livros incríveis pra gente conhecer, eu amei sua resenha, tão completa e inspiradora! Parabéns.

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  6. Olá tudo bem? Eu estou com a guerra que salvou minha vida para ler aqui, fiquei ainda mais entusiasmada com leitura, sua resenha ficou muito bom adorei, acredito que irei me emocionar um pouco com o livro!

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  7. Eu tive o prazer de ler o primeiro livro dessa deliciosa duologia e estou louca para poder ler o próximo... Sua resenha est´pa encantadora e despertou ainda mais a minha vontade de ler a obra...

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  8. Eu ganhei esse livro de uma amiga e adorei. A capa é edição da Darkside também estão um arraso! Bateu aquela saudades da história.
    Beijos.

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  9. Oiê, eu preciso mesmo ler esses livros. São tantos elogios, sem contar que curto muito a leitura de livros que se passam em períodos de Guerra, acredito que são muitas lições e reflexões e amo quando os livros nos oferecem essa possibilidade!

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  10. Oi Aline.

    Eu tenho muita vontade de ler este livro, por causa dos elogios que são bem positivos. Além de ter uma edição maravilhosa, a sua resenha aumentou minha curiosidade pela história e tudo mostra que ela carregada de emoção. Obrigada pela dica e parabéns pela resenha.

    Bjos
    https://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com/

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  11. Confesso que li um pouquinho por cima com medo de pegar spoiler :x hahaha mas adorei a sua resenha! Fiquei com mais vontade de ler esse e o primeiro livro. Adoro livros que tem essa carga emocional e o tema é um dos que mais gosto de ler.

    Beijos,
    Blog PS Amo Leitura

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  12. Vc simplesmente arrasa no texto menina, apesar de grande amei cada parágrafo e não consegui parar de ler. Valeu a pena conhecer suas impressões. Além da foto linda. Parabéns vc me deixou muito curiosa para ler os dois livros em especial esse segundo. Já tinha ouvido falar deles mas só agora fiquei curiosa. Beijos e valeu pela ótima sugestão.

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  13. Eu tenho o primeiro livro, mas ainda não tive oportunidade de ler. Preciso fazer isso logo, parece uma leitura muito delicada. Estou empolgada pela trama, acho que vou me encantar pela personagem.
    beijos

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  14. Desejo demais ler essa duologia, confesso que desde que a conheci ano passado, fiquei muito curioso para saber da sua história na íntegra. Espero realizar essas leituras ainda esse ano, pois estou muito curioso e preciso demais fazer isso.

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  15. Olá!
    Eu quero muito conhecer a história da Ada. E confesso que fico bem contente em saber que a autora conseguiu despertar sentimentos e sensações ao longo da leitura e ao final nos deixa satisfeito e também com vontade de conhecer como será a vida da Ada no futuro.
    Tenho o primeiro livro e espero ler ainda esse ano.


    Camila de Moraes

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  16. Ah, cada vez eu fico mais louca por esta história!

    Estou desejando lê-la faz algum tempo e sempre que leio mais resenhas maravilhosas sobra a obra mais ansiosa para lê-la eu fico. Uma pena que ainda não tenha o livro. :(

    Sei que vou chorar com a história da Ada. Livros que se passam durante guerras sempre provocam uma dor no meu coração. A Menina que Roubava Livros e O Menino do Pijama Listrado estão entre aqueles que mais me fizeram chorar.

    Imagino quanta dor esta menina carrega dentro de si desde o livro anterior. Os abusos da mãe, a situação da guerra, as perdas, a deficiência física, a sensação de estar sozinha... e tendo tantos problemas sendo ainda tão jovem. No lugar dela eu também teria dificuldades para acreditar, confiar nas pessoas. :(

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  17. Oi, eu tenho o primeiro livro há algum tempo mas ainda não li, amei saber um pouquinho sobre o que acontece com a Ada nesse segundo. Parece ser super interessante esses novos desafios que surgirão para a personagem, tendo que aprender a se abrir para sua guardiã, proteger o irmão e lidar com a operação.

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  18. Oi, Aline!
    Eu ainda não consegui ler o primeiro livro, mas tanto pelas inúmeras críticas positivas quanto pela proposta da história, tenho muito curiosidade em ler. Também li só crítica positiva sobre o segundo livro, mas mesmo você comentando que até dá para ler fora de ordem, prefiro ler o primeiro antes.
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/

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  19. Olá, tudo bom?
    Eu li o primeiro livro e me emocionei demais com sua história e com a forma como Ada vai amadurecendo e conhecendo o amor ao longo do livro. Quando fiquei sabendo desse lançamento fiquei louca para conferir, mas não surgiu ainda a oportunidade. Saber o quanto é bom reencontrar esses personagens, vê-los superar seus traumas e se tornarem uma família em meio a tantas temáticas abordadas só me deixa ainda mais ansiosa para conferir logo esta história. Espero poder fazer essa leitura em breve ♥
    Amei demais sua resenha!
    Beijos!

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  20. Oi, tudo bem?
    Acredita que o primeiro livro está parado na minha estante desde que foi lançado e eu ainda não li? Porém, está na minha meta para ler em breve e fiquei feliz por ver que a continuação é tão boa. Parece ser mesmo uma história tocante e com mensagens muito importantes.
    Adorei conhecer sua opinião sobre o livro e fiquei ainda mais curiosa para ler esse livro e o anterior. Vou ler na ordem e espero me encantar com esses personagens também.
    Beijos!

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  21. Olá Aline!!!
    Eu já havia lido uma resenha anterior acerca desse livro e na mesma já fiquei emocionada com que a história traz.
    Eu admito que não sou a pessoa mais adepta de livros do gênero, pois acabo fugindo realmente dos mesmos por ser uma época pesada da nossa humanidade mas que é necessária ser relembrada para que não aconteça novamente.
    Eu gostei que você explicou que por mais que a história seja explicada aqui é bom ler o livro anterior para termos contato com os personagens mais um pouco.
    Adorei a resenha!!!

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