02 outubro 2018

Resenha: O sol na cabeça - Geovani Martins

em 02 outubro 2018

12 comentários


Em O sol na cabeça, Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades inerentes à idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da “Cidade partida”, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI.
Em “Rolézim”, uma turma de adolescentes vai à praia no verão de 2015, quando a PM fluminense, em nome do combate aos arrastões, fazia marcação cerrada aos meninos de favela que pretendessem chegar às areias da Zona Sul. Em “A história do Periquito e do Macaco”, assistimos às mudanças ocorridas na Rocinha após a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Situado em 2013, quando a maioria da classe média carioca ainda via a iniciativa do secretário de segurança José Beltrame como a panaceia contra todos os males, o conto mostra que, para a população sob o controle da polícia, o segundo “P” da sigla não era exatamente uma realidade. Em “Estação Padre Miguel”, cinco amigos se veem sob a mira dos fuzis dos traficantes locais.
Nesses e nos outros contos, chama a atenção a capacidade narrativa do escritor, pintando com cores vivas personagens e ambientes sem nunca perder o suspense e o foco na ação. Na literatura brasileira contemporânea, que tantas vezes negligencia a trama em favor de supostas experimentações formais, O sol na cabeça surge como uma mais que bem-vinda novidade.


Ficha Técnica Da Obra

Páginas: 120 | Ano: 2018 | Idioma: Português | Editora: Companhia das Letras | ISBN: 9788535930528| Gênero: Contos / Ficção / Literatura Brasileira | Skoob

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O livro é uma seleção de 13 contos, todos com personagens muito realistas e que trazem ao leitor uma realidade bem nua e crua da vida nas favelas do Brasil, surpreendendo quem não conhece essa realidade.

A linguagem do livro é mais simples, típica daquela região, e ao primeiro momento eu achei bem estranha e difícil de ler, mas esse é exatamente o propósito, trazer um livro bem realista e que mostre a verdadeira essência daqueles moradores. Mas não se assustem com o primeiro conto, pois os outros possuem uma escrita com menos gírias, mais fáceis de ler e ainda assim sem perder a essência do livro.

“É tudo muito próximo e muito distante. E, quanto mais crescemos, maiores se tornam os muros.”

Nos contos o autor evidencia aos leitores a desigualdade social existente nas favelas, onde as condições extremas levam pessoas a fazerem coisas extremas, como são tratados por policiais e como as pessoas se acostumam naquela vida. O autor também aborda outros temas como racismo, política e a luta diária daquelas pessoas, e em cada conto somos jogados naquele local e vendo a vida deles tão de perto e ainda assim tão distante.

Mas o livro também mostra a beleza de coisas simples, como ir à praia com os amigos, as brincadeiras de rua (que a maioria dos jovens não conhece hoje em dia [nossa, me senti minha vó falando agora]) ou seja, como a companhia dos amigos ameniza os momentos difíceis, mostrando que é a amizade que sustenta o morro.

”Tinha vez que sentia até pena de ver as criança naquela situação, mas o papo é que a gente se acostuma com cada bagulho sinistro, que pena é coisa que dá e passa rápido; geral continuou comprando droga.”

Os contos tem o propósito de narrar histórias cotidianas dos moradores da favela, algumas tristes, outras violentas, outras de amor, mas sempre mostrando o companheirismo presente ali.

O livro trás um choque de realidade ao leitor que não está presente nesse meio social, uma realidade que é abafada pela mídia, escondido como se fosse a parte podre da ‘Cidade Maravilhosa’.

Não vou dizer que foi uma leitura fácil pra mim, principalmente por mal ter saído de Minas e não conhecer nada do Rio ou qualquer outro lugar semelhante ao descrito pelo autor, mas ainda assim foi uma experiência interessante para aprender como a desigualdade social é algo que acontece logo ali ao nosso redor, e todos fecham os olhos e varrem pra longe para fingir que não existe.


12 comentários:

  1. Tudo bem? Não conhecia o livro, primeira vez que vejo.
    O livro tem uma premissa que achei interessante, isso de narrar histórias dos moradores da favela. Gosto desses contos, pois sempre trás reflexões boas.
    Adorei sua resenha.
    Por morar no Rio, conheço o tipo de cenário descrito e acho bem interessante de verdade que outras pessoas que nunca viram de perto essa realidade poder ter a oportunidade de ler a respeito.

    Beijos.

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  2. Oi tudo bem? Não conhecia esse livro de contos, por ser nacional e mostrar a situação que vive os povos na favela e mais contar a história nua e crua como acontece realmente me cativa, pois é tão fácil jogar um pano preto e mascarar as coisas, mas se tem realismo estou anotando, parabéns pela sua resenha foi muito esclarecedora e me deu um parâmetro do que vou ler, dica anotada, bjs!

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  3. Ultimamente tenho lido mais nacionais e esse em especial me chamou atenção por se passar no Rio, que é a minha cidade. Vou dar uma conferida nele. Muito obrigada pela dica de leitura!

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  4. Não conhecia o livro e adoro contos. Parece ser um daqueles bem importantes de serem lidos, retrata uma realidade que preferimos não conhecer.
    Ótimo ter compartilhado para nós
    Bjos floooor

    http://cariocadointerior.com.br/

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  5. Olá.

    Gostei da sua resenha e confesso que não sabia que era um livro de contos. Apesar de não gostar muito sobre esse estilo de livro, para quem gosta de saber mais sobre as favelas do Brasil, certeza que esse livro vai ser um choque de realidade.

    Beijos,
    Blog PS Amo Leitura

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  6. Não sabia desse nacional. Eu fiquei bem curioso para saber mais sobre os contos, pois ele retrata bem a realidade desse estado e do nosso país. Anotada a dica.

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  7. Oi!
    Lembro que quando esse livro foi lançado, muitos blogueiros e booktubers estavam falando dele. Ele ficou bem famoso. Lembro que o autor foi na TV e tudo, dar entrevistas. Acho o tema dos seus contos muito importante e necessário. E eu até teria interesse, se não fosse uma entrevista que li do autor para uma revista, que me incomodou bastante.
    Depois disso, perdi toda a vontade de ler.
    Sua resenha está ótima!
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/

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  8. nao conhecia o livro uma dica muito legal para quem gosta de leitura nesse estilo de conto confesso que não os que mais leio porem gostei de conhecer
    VENHA CONHECER MEU BLOG Coisas da Bueno

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  9. Eu venho namorando esse livro há algum tempo. Sempre que vou nas Lojas Americanas eu o pego nas mãos, mas acabo desistindo de comprar não por não querer o livro, mas por esperar uma promoção.rsrs

    Desejo tanto ler os contos justamente por mostrar uma realidade que a mídia gosta de esconder, uma realidade com a qual quase ninguém se importa. Olham para as favelas e só veem traficantes, desocupados que querem uma vida fácil, mas a vida não é preta e branca, existem diversos tons de cinza e situações determinantes. Nas favelas também existem pessoas boas, que sofrem, que lutam diariamente. E mesmo muitos dos adolescentes possuem um passado, uma história de vida. Eu ouço muito as músicas do Gabriel, o Pensador e do Projota e elas me fazem entender a realidade dos outros, vê-los como seres humanos. Espero poder ler esse livro logo! Sei que vou ser impactada por ele, mas vai valer a pena. :)

    Bjs!

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  10. Infelizmente vivemos com uma mídia que so gosta de mostrar aquilo que convêm a ela. Sempre marginalizando os moradores de favela como se todos fossem bandidos. Sendo que a maioria da população que lá reside são trabalhadores.

    Sou moradora do Rio e conheço pessoas que moram em uma das maiores favelas da América Latina, o complexo do Alemão. E te digo, elas sofrem e muito por morar lá. Muitos criticam, mas só sabe o que realmente quem vivencia todos os dias. Acho um livro que todos deveriam ler, para começarem a ter um senso crítico sobre o assunto.

    Adorei a sua resenha! Beijos

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  11. Olá!
    Realmente esse livro traz uma percepção e uma triste realidade sobre a favela, mas nem por isso todos os moradores são envolvidos com algum tipo de criminalidade, alguns estão lá por não conseguirem ter um local melhor para viver, mas são tão trabalhadores e dignos quanto quem mora em qualquer outro lugar.
    Esse livro deve ser um choque de realidade e um soco no estômago de muitos.
    Uma leitura que merece ser mencionada. Adorei suas considerações.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  12. Olá, eu li esse livro e não foi tão bom quanto eu esperava, mas gostei de conferir suas considerações, me deu algumas novas visões sobre a leitura. Também o classifico como uma leitura interessante, ainda que não tenha sido de todo agradável.

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