02 julho 2018

Resenha: Santuário dos Ventos - George R. R. Martin & Lisa Tuttle

em 02 julho 2018

15 comentários

George R.R. Martin, autor de “As Crônicas de Gelo e Fogo” e “Wild Cards”, e Lisa Tuttle reuniram seus talentos para presentear o leitor com Santuário dos Ventos, uma obra ambiciosa e emocionante, que, combinando ficção científica e fantasia, chega às livrarias pela LeYa.

Na trama, após um desastre espacial, os tripulantes de uma nave intergaláctica passam a habitar uma região que chamam de Santuário dos Ventos, um mundo de pequenas ilhas, de clima difícil e mares infestados por monstros. Composta de inúmeros arquipélagos, a comunicação entre os povos era praticamente impossível – até a descoberta de que, devido à baixa gravidade e à sua densa atmosfera, os humanos poderiam voar pelos mares com a ajuda de asas de metal.

Não por acaso, ninguém tem mais prestígio que os voadores, responsáveis por levar notícias para os mais diversos pontos do Santuário. Essas figuras deslumbrantes que cruzam os oceanos traiçoeiros, enfrentando ventos revoltosos e tempestades súbitas, formam também uma espécie de elite privilegiada, pois suas asas só podem ser passadas de forma hereditária.

É nesse cenário que a jovem Maris é criada por Russ, um voador, e tudo o que ela mais deseja é voar pelas correntes acima do Santuário dos Ventos. No entanto, a tradição afirma que as asas de Russ só podem ser passadas para seu filho legítimo. E, para os voadores, permitir que qualquer um se junte à sua sociedade é uma ideia que beira a heresia.

Inconformada, Maris recorrerá a tudo que estiver a seu alcance para conquistar as preciosas asas – abalando a sociedade em que vive e gerando uma série de novas questões morais entre os voadores e os “confinados à terra”. Afinal: quem merece ganhar os céus do Santuário dos Ventos? E até que ponto a benção se torna também uma maldição?
*Livro recebido em parceria com editora*

"Não por nascença ou por idade, mas pela única medida que realmente conta: a habilidade."

Santuário dos Ventos é uma obra de ficção científica e fantasia, escrita na década de 80 por R. R. Martin e Lisa Tuttle, e como ela foi publicado antes de Game of Thrones podemos perceber várias inspirações do autor neste universo.

Aqui a história se passa no Santuário dos Ventos, um Universo de ilhas onde os mares possuem cilas (uma espécie de dragão do mar) que destoem navios constantemente e os únicos que podem transitar entre as ilhas com maior segurança são os voadores, uma classe de pessoas que herdam as asas de seus pais e percorrem os céus diariamente levando mensagens entre os mestres de cada terra.

Porém nossa protagonista Maris é uma simples confinada a terra, uma simples filha de pescador que adora observar os voadores de sua ilha. Mas tudo muda quando Russ, um voador que não têm filhos a adota e a ensina a voar, realizando seu sonho e fazendo com que ela se apaixone pelos céus. Mas depois de anos a esposa de Russ lhe concebe um filho e Maris tem que criá-lo sabendo que quando ele completar 13 anos irá tirar as asas dela, e ela voltará a ser uma confinada a terra.

Mas Maris sabe que Coll não quer ser um voador, e sabe também que mesmo assim ele terá que servir, pois é a tradição. Mas porque continuar em uma tradição tão cruel assim? Porque ela uma das melhores voadoras tem que perder suas asas para alguém que não será tão habilidoso quanto ela? Porque condenar seu irmão a morte certa quando tudo que ele quer é ser um cantor e viajar pelas ilhas através dos mares?

“- ... As asas são uma responsabilidade; elas devem ser usadas por aqueles que amam o céu, que vão voar melhor e mantê-las da melhor maneira. Em vez disso, o nascimento é o nosso único critério para conferir as asas. O nascimento, não é talento. Mas o talento de um voador é o que o livra da morte, é o que mantém o Santuário dos Ventos unido.”
Santuário dos Ventos foi uma inesperada surpresa pra mim, pois a sinopse é uma parte bem pequena dessa grandiosa obra do mestre R.R. Martin.


Começamos a trama com um tom mais jovem, afinal Maris é uma jovem que não quer perder suas asas, todo voador tem uma relação extremamente intensa com suas asas, perdê-las e como perder uma parte da sua alma, perder sua liberdade, seus amigos e principalmente sua alegria de viver, pois a terra já não tem mais graça depois que você toca os céus. Então vemos aqui uma garota com a coragem de ousar questionar a tradição, porque seguir tudo à risca quando é óbvio que cada vez há mais mortes de novos voadores? Porque somente os voadores podem herdar as asas se ela, uma confinada a terra possui a mesma habilidade que eles?

O livro leva o leitor a vários questionamentos sobre superioridade, tradições, e principalmente sobre mudanças. Eu achei incrível como os autores colocam o peso da mudança na narrativa, é ilusão pensar que tudo seja fácil e simples depois de uma mudança tão grande, e o fato dos autores construírem bem todas essas camadas me fez admirar muito mais a obra, pois tal aspecto do 'depois' quase nunca é trabalhado com tanta veracidade por outros autores em obras que trazem tal tema da mudança. Geoge e Lisa mostram que a luta por uma mudança na nossa sociedade deve ser constante, e não somente momentânea, pois deixar de lutar após a primeira conquista é o mesmo que não ter conquistado absolutamente nada. 

Outro ponto muito importante que os autores trabalham muito bem é com o plot de Coll, ele sempre quis ser um cantor, que era uma 'profissão' de um condenado à terra, não de um filho de um voador. E com esse personagem os autores mostram como é importante essa quebra de tradições para que todos possam sonhar em ser olos mares levando histórias de voadores por todas as ilhas, é através de canções que a história é co que desejam. E durante a narrativa vamos percebendo o quanto à música, os cantores são fundamentais naquela sociedade também, pois eles viajam pentada, que os acontecimentos são registrados, e isso me lembrou muito Game of Thrones com todas músicas épicas que marcaram a obra.

“O fato de uma coisa sempre ter sido feita de um jeito não quer dizer que a mudança não seja possível, ou desejável.”
Maris é uma protagonista que só evolui no decorrer da história, e desde o primeiro momento amamos ela. Ela possui o sonho de ser uma voadora, o sonho de abrir essa mesma oportunidade à outros como ela, e ela tem a coragem de correr atrás de seus sonhos, de lutar para que eles se realizem mesmo que pra isso ela tenha que mudar o mundo. Com a evolução da história vemos ela mudando também, deixando a sua parte inocente pra trás, e lutando cada vez mais para que a tal 'superioridade' dos voadores seja quebrada. Ela não cai em clichês, ela não é a tola apaixonada, ela é uma mulher forte do começo até o fim, e mesmo com as dúvidas que surgem no decorrer da história, é impossível não se apegar a ela. 

O livro também tem um grande número de personagens, todos muito bem construídos e com um papel muito importante na narrativa. Aqui, mesmo Maris sendo a protagonista ela não é a mais importante na história, como Val, o Uma-Asa, que trás um novo fôlego a trama, e leva novamente o leitor a vários questionamentos, principalmente sobre como só voadores tratam os confiados a terra, e fazendo Maris enxergar o real problema daquela sociedade.

Tenho que elogiar o trabalho da Leya nesse livro, Logo no início temos um mapa lindo com toda a disposição das ilhas, e não sei vocês mas eu adoro mapas hahaha. Também temos no começo de cada parte uma ilustração linda das asas, como se fossem um croqui, um desenho de quem as planejou, e mesmo a arte da capa não sendo a original eu achei essa bem mais incrível, mostrando toda a beleza das asas prateadas e das ilhas onde as histórias acontecem. 

Mais que um livro sobre uma garota que quer mudar o mundo, Santuário dos Ventos é um livro que mostra como é complicado mudar as regras que estão tão enraizadas na sociedade, mostra que mesmo que as pessoas sejam favoráveis às mudanças ainda leva muito tempo para que tudo se adapte e como mesmo sendo um processo lento e complicado é importante insistir, é importante fazer com que todos ali consigam enxergar o que está errado para a mudança real acontecer e nunca deixar se abater com as dificuldades e perdas pelo caminho.

Para os amantes de uma boa fantasia com um toque de ficção científica eu recomendo muito esse livro, é uma leitura rica em detalhes assim como os outros livros do autor, e talvez seja uma ótima obra introdutória para conhecer a escrita de R.R. Martin, e se você é fã de Game of Thrones com certeza vai adorar essa leitura e matar a saudade de histórias épicas enquanto o sexto livro não chega.

"Pelo tempo em que essa canção for cantada eles saberão de você, a menina que queria tanto suas asas que acabou mudando o mundo".

15 comentários:

  1. Oi Sa!

    Tudo bem? Então, eu NUNCA li nada do Martin não por falta de vontade, mas é porque ele é enrolado com as séries e eu tenho medo dele morrer e não terminar as histórias (especialmente As Crônicas de Gelo e Fogo) e se eu estiver lendo vou ficar p da vida com isso.

    Fico bem feliz de saber que a sinopse não estragou a surpresa do livro, o oposto tem acontecido comigo mais do que eu gostaria de admitir e tenho refletido que as editoras não estão sabendo como fazer uma sinopse legal e que não revele 90% da trama do livro.

    O que mais gostei na sua resenha foi, sem dúvida nenhuma, o fato de que você falou que a Maris evolui com a história. Adoro acompanhar o crescimento de uma personagem no decorrer de uma trama e fico muito feliz quando o autor (neste caso autores!) sabem colocar isso direito. Tenho sim vontade de ler Santuário dos Ventos, ainda mais por ser uma obra única e assim não correria o risco de ficar esperando a continuação durante os próximos anos.

    Beijinhos - Jessie
    www.paraisoliterario.com

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  2. Não conhecia o livro, mas só pela parceria eu já fico curiosa para conferir, sem dizer que o fato de ter sido uma inesperada surpresa para você me anima ainda mais a querer conferir essa história que me chama atenção por levantar questionamentos sobre assuntos pertinentes, fiquei intrigada para descobrir com eles se saem nessa, afinal são nomes de peso.

    Abraços.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com/

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  3. Eu vi sobre esse livro, mas não tinha conferido nenhuma resenha ainda e a sua ficou extremamente perfeita. Fiquei curiosa para conferir, e muito empolga por esse enredo. O autor sabe escrever livros de fantasia muito bem, fiquei ainda mais curiosa por conta dessa parceria com outra autora. beijo
    www.apenasumvicio.com

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  4. Oi Sabrina!
    Eu não conhecia esse livro do George R. R. Martin e como nunca li Game Of Thrones e também não tenho muito interesse na série, acho que esse poderia ser uma boa chance de conhecer a escrita do autor.
    Gosto bastante de fantasias e estou em um momento que estou adorando ler ficção científica, então essa mistura me deixou bastante curiosa, além do mundo que parece ser bem diferente e inovador.
    Dica anotada!
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/

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  5. Oi Sabrina, tudo bem?
    Imagino a grandiosidade da história pela sua resenha. Um livro com diversos personagens é algo difícil de desenvolver, pois cada um deve trazer a sua importância. E se tratando de Martin, sei o quanto ele envolve. Adorei saber qua a personagem não cai em clichê, fiquei ainda mais curiosa sobre ela
    Bjim!
    Tammy

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  6. Oi, Sabrina!
    Eu não gosto dos livros do George R.R. Martin, já tentei ler várias vezes e não funcionou pra mim, então, você já deve saber que meu veredito será: não quero ler esse livro, mesmo com tantos elogios.
    Uma das coisas que não gosto no autor é a criação de seus personagens, pois são personagens demais e acho alguns bastante ruins, pra ser sincera.
    Acho que os livros desse autor não são pra mim.
    Beijos!

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  7. Eu tenho quase todos os livros da série As Crônicas de Gelo e Fogo, menos o primeiro.kkkkkkk... Isso porque eu só compro em promoção. E será meu primeiro contato com o autor. Não lerei nenhum outro livro dele antes dessa série.

    Isso não significa que não fiquei interessada em Santuário dos Ventos. Apesar de não ser muito fã de fantasia ou ficção científica, achei a trama fascinante e diferente e isso me deixou com muita vontade de lê-la. O autor utilizou a fantasia para tocar em assuntos reais e isso é incrível.

    Bjs!

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  8. Oi.

    Eu nunca li nada do autor, até tenho vontade de ler as Crônicas de Gelo e Fogo, mas ainda não tive a chance. Ainda não conhecia esse livro, mas a premissa parece ser fascinante. Gosto muito de fantasias, mas quando são bem trabalhadas. Acho que esse livro deve proporcionar uma leitura maravilhosa.

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  9. Oie.

    Eu já li todas as obras do Martin traduzidas no Brasil, essa será a próxima. Eu acredito muito no poder dele de construir mundos e personagens e esse livro não me parece fugir disso, ainda mais com a suas impressões.

    É muito bom quando os autores trazem reflexões, mas não é algo fora da curva, muito pelo contrário, agregam a história e também ao leitor. Estou ouvindo só coisas positivas sobre esse livro, sua resenha só me deixou com mais vontade de ler ainda!

    beijos

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  10. Oi, Sabrina!
    Esse é mais um daqueles momentos que me pego pensando: quanta coisa boa tenho deixado passar por subestimar uma capa/um autor. Autor, no caso, porque não me interesso pelos livros de R. R. Martin, ainda que eu goste muito de fantasia. Agora percebo, felizmente, que posso vir a gostar sim de algo dele porque a premissa desse é incrível e seus comentários me deixaram especialmente empolgada. Essa temática dos voadores me soou bem diferente do que vejo por aí, e o fato dos autores tratarem sobre o antes e o depois da mudança das tradições me agradou também. Se surgir oportunidade pra lê-lo, espero gostar tanto quanto você! Valeu demais a dica!
    Beijos,
    Sâmmy

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  11. Depois de não ter curtido muito As crônicas de gelo e fogo, achei que nunca ia querer ler outro livro do autor, mas já estou mudando de ideia. Fiquei super interessada em ler esse livro pela sua resenha, não só por ter achado legal isso de eles voarem, mas também pelo protagonismo feminino.

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  12. Olá!
    Não li nenhuma obra desse autor e apesar de gostar das adaptações de suas obras, o gênero não me chama atenção.
    Gostei da premissa e por sua resenha é uma leitura bem interessante e com elementos bem instigantes que os amantes de fantasia certamente vou gostar.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  13. Olá,

    Eu disse que esse ano seria para me aventurar mais por gêneros que não leio muito, como a ficção científica, confesso que não estou me saindo bem nesse quesito. Já tentei ler GoT do George, porém achei muito descritivo, então fico com receio de ler outras coisas dele, tanto é que tenho dois livros do autor encalhados na minha estante.

    Beijos,
    oculoselivrosblog.blogspot.com.br/

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  14. Oie, tudo bom?
    Eu curto bastante fantasia, mas essa parece ser muito complexa :o
    Não sei se teria paciência pra me entregar a uma leitura assim agora, então passo a dica por enquanto ^^

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  15. Olá! Não sou muito de obras de ficção científica mas adoro livros de fantasia. Querer mudar uma tradições costuma trazer muitas confusões. A história apresenta uma boa proposta. É bom quando um personagem tem as característica que você diz que a Maris tem, coragem e ousadia. E sempre bom quando um livro faz o leitor questionar algum assunto. Que bom que o autor sobre criar vários personagens, pois é ruim quando tentam encaixar personagens desnecessários. Não conhecia essa obra, e nem li nada desse autor. Mas vejo falar bastante dele. Você me deixou com vontade de ler esse livro também. Dica anotada! Beijos'

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