18 julho 2018

Resenha: O Poder -Naomi Alderman

em 18 julho 2018

21 comentários

O que você faria se tivesse o poder em suas mãos?

“Jogos vorazes encontra O conto da aia.” (COSMOPOLITAN)

Em um futuro próximo, as mulheres desenvolvem um estranho poder: elas se tornam capazes de eletrocutar outras pessoas, infligindo dores terríveis... até a morte. De repente, os homens se dão conta de que não estão mais no controle do mundo.

“Um olhar fascinante no que o mundo poderia ter se tornado se o sexismo dos últimos milênios tivesse tomado rumos diferentes. Engenhoso... merece ser lido por todas as mulheres (e, claro, por todos os homens).” (THE TIMES)

“O poder é uma leitura explosiva.” (FINANCIAL TIMES)

“Um romance envolvente, que nos obriga a encarar uma distopia que já existe... e que está entre nós há séculos.” (MICHAEL SCHAUB, NPR)

*Livro recebido em parceria com editora* 

"Quando o povo muda, o palácio não tem como se sustentar."
O Poder é o típico exemplo de livro que você pensa que é uma coisa e não é. Estou ainda decidindo se amei essa leitura ou se achei que faltava algo nela, mas em todos os casos vamos a resenha.




O Poder trás e premissa que um belo dia várias mulheres começam a desenvolver o poder de eletrocutar as pessoas com suas mãos, e assim acabam percebendo que unidas elas são mais fortes que os homens, invertendo completamente a balança da sociedade.

O livro tem um formato bem diferente, é como se fosse um livro dentro de outro livro. Logo nas primeiras páginas temos uma troca de cartas entre Naomi e Neil, um homem historiados que resolveu escrever um livro de ficção baseado em suas descobertas históricas, pois já estava cansado de ver seus livros só com os fatos fracassarem por serem ‘entediantes’. Ele diz que escreveu uma história sobre como os homens antigamente detinham o Poder do mundo, detendo cargos importantes, sendo policiais, políticos, tendo gangs e como as mulheres acabaram mudando isso. E ele fala que talvez sua história possa passar como ‘abusrda demais’ e nada plausível, mas ele pede para que ela leia o manuscrito pois a história é toda embasada em suas descobertas arqueológicas e históricas.

Então começa a história de O Poder – o livro do Neil – onde as mulheres do nada começaram a ter um poder nas suas mãos, elas poderiam eletrocutar as pessoas só com o toque, e no começo isso causa o maior tumulto na população, afinal de contas ninguém sabe como surgiu, o porque surgiu, se tem uma ‘cura’ e assim começam a separar as mulheres dos homens com medo de que elas os machuquem.

São vários personagens diferentes na narrativa, e alguns tem capítulos mais longos, outros pequenos trechos relatando o que está acontecendo naquela parte do mundo, mas todos eles servem para nos mostrar como essa mudança na balança do poder está acontecendo em diversos lugares no mundo de maneiras diferentes, algumas mais intensas gerando guerras e outras de maneira mais calmas com a ajuda do governo.

O livro é dividido por anos, e com à medida que o tempo vai passando vamos vendo que mais e mais mulheres vão adquirindo esse poder, e como elas vão lidar com tamanha responsabilidade em suas mãos. Cada lugar reage diferente ao Poder, e vemos isso sendo muito bem representados pelas mulheres, as que sofriam mais abusos ao ver que tinham os homens em suas mãos começam a impor neles tudo que elas passaram, outras reagem a isso de forma mais ‘pacífica’, outras são treinadas pelo governo para serem soldadas melhores que os homens.

"Mesmo que você ache que é complicado, sempre vai ser mais complicado que você pensa. Não existe atalho. Nem para a compreensão nem para o conhecimento. Não dá para colocar uma pessoa numa caixa. Escute, nem uma pedra é igual a outra pedra, então não sei de onde vocês tiraram que podem rotular humanos com palavras simples e sair achando que vocês sabem tudo que precisam."
Essa inversão de valores é muito interessante quando analisada com calma, afinal de contas estamos tão acostumadas a sermos a ‘vítima’ que é meio bizarro imaginar um Universo onde as mulheres não seriam mais as vítimas, e sim as agressoras. Não que os atos como estupros, assassinatos e controle total dos homens seja algo correto (vale lembrar que isso não é feminismo, isso é femismo – as mulheres sendo superiores aos homens) mas é interessante pensar como isso tudo já acontece com as mulheres, e todos ‘fingem não ver’ ignoram a todo momento as críticas e acham que é mimimi quando reclamamos de tais abusos, mas quando acontece com os homens passa a ser algo que você repara mais, beirando o absurdo, mas porque¿ Já que já passamos por tudo isso hoje em dia.

Essa analise sobre a inversão de valores talvez seja mais clara só no final do livro, quando você volta a reparar nas cartas entre Naomi e Neil (e relê a primeira) e percebe que a sociedade já é comandada por mulheres, que os homens são vistos como o sexo frágil, carinho e emotivo, e as mulheres são as fortes, lutadoras, que estão no comando e é algo natural a todos. Naomi chega a achar graça do fato de ter soldados homens no livro, falando que isso é algo sexy até, e chega até a sugerir que Neil escreva seu livro sob o pseudônimo de uma mulher pois serial algo mais aceito pela crítica (e não é que isso já acontece ao contrário na nossa sociedade hoje em dia¿)

Eu demorei muito pra concluir essa leitura, talvez porque tivesse uma percepção completamente erronia sobre o que seria o livro – algo como as mulheres detém o poder e agora vão melhorar o mundo – e como não dei muita atenção a primeira carta trocada entre Naomi e Neil eu não entendi bem o propósito do livro, mas no final depois de ler várias resenhas e análises ficou claro pra mim o propósito e achei bem interessante como foi escrito, até mesmo as questões religiosas (já que Neil é um católico e a sua religião tem toda uma história com Eva).

Não pense que encontrará aqui um romance, uma história bem linear sobre personagens fortes e a mudança do mundo, aqui acontece algo mais parecido como uma paródia do que já vivemos (com cenas bem absurdas), só invertendo os papeis de homem e mulher no poder, para dar o leitor a visão de como é absurdo as coisas que nós mulheres suportamos caladas e que em algumas partes do mundo, várias mulheres passam por situações desumanas, somente por serem mulheres. Quem sabe com um livro assim os homens ou pessoas preconceituosas consigam enxergar no absurdo a realidade, e ver que a nossa sociedade precisa mudar.

"Uma dúzia de mulheres se transformou em cem. Cem viraram mil. A polícia recuou. As mulheres gritaram. algumas fizeram cartazes. Elas entenderam a força que tinham, todas ao mesmo tempo."



21 comentários:

  1. Só de ler essas recomendações no inicio da publicação despertar a curiosidade pela leitura. E a sua desenha já conseguiu despertar o interesse para tentar entender esse propósito (porém já peguei a dica sobre prestar atenção na troca de cartas rs). Achei super interessante e espero conseguir dar uma chance para a leitura futuramente.

    Sai da Minha Lente

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  2. Fiquei eletrocutado de ler essa resenha. kkkk Brincadeiras a parte,não conhecia o livro, mas a história me interessou muito e já o coloquei na minha lista de desejados.

    Gustavo
    http://www.leituraenigmatica.com

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  3. Oiiii,

    Eu já tinha visto este livro antes, mas acho que nunca parei para ler uma resenha dele. Fiquei super curiosa para saber mais sobre este poder das mulheres e sobre como em cada localidade elas irão tratar. Só não sei se gostei muito do formato kkkkk. Cartas não são muito o meu estilo de leitura, e como parece ser um livro dentro do outro, não sei se eu fluiria bem na leitura, mas estou bem curiosa quanto ao andamento da história.

    Beijinhos...
    http://www.paraisoliterario.com

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  4. Pela sua resenha me parece ser uma ótima história pelo fato de que tudo antigamente tinha uma sensação de bruxaria e mais uma questão de poder parece ser fantasioso mas é bom ver uma história um pouco diferente. Primeira resenha que leio sobre ele.

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  5. Oi Sabrina,
    Imaginei uma história completamente diferente quando vi a capa e o nome do livro. Apesar da ótima resenha, ainda fiquei um pouco perdido sobre que caminho a história vai seguir. Acho que é por isso que ainda não consegui me decidir se vou ler ou não.
    Beijos,
    André | Garotos Perdidos

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  6. Olá
    Eu achei a premissa desse livro bastante interessante gostei muito é diferente esse livro dica anotada

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  7. Oi Sabrina! Tudo bem?
    Sabe que eu AMEI a premissa desse livro?! Imaginar que aos poucos as mulheres vão adquirindo poder de eletrocutar e com isso, tornam-se capazes de mudar o mundo de forma irreversível. Acho essa ideia fantástica!
    Abraços e beijos da Lady Trotsky...
    http://www.galaxiadeideias.com/
    http://osvampirosportenhos.blogspot.com

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  8. Oi!
    A proposta do livro não me agradou tanto de início, mas depois de saber mais sobre a sua opinião, fiquei bem curiosa. Confesso que se o visse em uma livraria, não daria a mínima atenção. Ainda bem que li sua resenha a tempo.
    Beijos!

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  9. Olá, tudo bom?
    Acho que eu estava esperando o mesmo que você dessa leitura e amei ler sua resenha para não me decepcionar. Esse livro é mais para um "Eu não sou um homem fácil" que para uma história mais forte e empoderadora né? Curti a inversão dos papeis, colocando os homens como 'alvo' de algo que passamos e ainda vamos passar muito ainda, fazendo-os sentir na pele. No entanto, não era exatamente o que eu esperava (estava mais para uma mensagem sobre a importância da igualdade entre gêneros). Anotei a sugestão, no entanto, vou esperar minhas expectativas diminuírem para me aventurar nessa leitura.
    Amei sua resenha! ♥
    Beijos!

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  10. Um livro interessante e no minimo instigante, ainda mais por retrar essa inversão de valores. mas tenho que confessar que assim como você não compreendi logo de cara a proposta do livro, talvez seja uma leitura bem difícil para mim, mas acho válida. Vou deixar a dica anotada. Adorando o novo layout do blog, está uma graça.

    Abraços.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com/

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  11. Não conhecia esse livro, mas amei a premissa e estou super curiosa para saber a reação das mulheres a esse poder. Vou procurar com certeza saber mais sobre ele. Adorei a dica! Super anotada. Bjs

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  12. Oi, Sabrina!
    Fiquei curiosa logo que esse livro foi anunciado, porque a premissa parecia mesmo trazer uma mudança, algo tipo distopia e afins, ao menos foi como soou para mim, mas interessante também saber que é como uma paródia da sociedade atual. E troca de cartas do tal Neil com a autora é bem bacana para deixar tudo ainda mais surreal mas ainda real, se é que faz sentido, rs. Mas levanta questionamento mesmo o fato desses abusos ocorrerem com homens e todos repararem, quando o contrário é muitas vezes até silenciado, então deve mesmo ser uma ótima dica de leitura/tapa na cara de quem continua a achar mimimi a luta das mulheres por respeito e tudo mais.
    Beijos!

    ♥ Sâmmy ♥
    ♥ Sonhando aos Vinte ♥

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  13. Oi tudo bem?
    Estou louca para ler esse livro, Jogos Vorazes é um dos meus livros favoritos e gostei bastante de O Conto de Aia, então imagino que mistura dos dois em O Poder só pode trazer coisa boa!
    Bjs!

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  14. Ola Sabrina,
    Confesso para ti que não conhecia esse livro, achei bem interessante a proposta da obra e a sua resenha aguçou e muito a minha curiosidade. Mas sinceramente não sei hoje se ele faz o meu estilo :/

    beijos
    Mayara

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  15. Olá, Sabrina!

    Eu já tinha ouvido falar desse livro. E recentemente li uma resenha sobre um filme que traz mais ou menos a mesma questão. Uma inversão das situações, mostrando as mulheres no controle e como as coisas seguiriam péssimas do mesmo jeito. Eu penso que tudo que é extremo é ruim. Sou feminista, pela essência da palavra, que é defender os direitos de nós mulheres. Mas fico horrorizada quando vejo tantas opiniões e comportamentos radicais, como se estivéssemos em guerra contra os homens e não é isso em que acredito. Como a música "Respeita as mina" diz: "Não lutamos por inversão. Igualdade é o x da questão." E ainda: "É para acabar com o machismo e não para aniquilar os homens." Tem gente que se julga feminista e não entende isso. Que não é uma guerra contra os homens, mas sim contra o machismo de homens e mulheres. É uma luta pelos nossos direitos, inclusive o de andar na rua sem medo.

    Acho um livro assim excelente para mostrar para homens e mulheres questões que eles preferem ignorar. Precisamos de igualdade, de respeito e acima de tudo de amor.

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  16. Primeira vez que vejo uma resenha deste livro, não o conhecia e logo de cara fiquei curiosa com os destaques da apresentação... Ler sua opinião me deixou intrigada,apesar de não ter certeza se gostaria do livro, acho que a curiosidade de saber como tudo acontece tá maior...

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  17. Esse livro me lembrou um pouquinho a premissa do filme Eu não sou um homem fácil, com essa "inversão de papéis". Sobre seu parágrafo final, também gostaria que mais homens e preconceituosos e machistas tivessem acesso a essa história, mas mesmo assim não sei se eles seriam tocados pela mensagem. É uma leitura que fiquei curiosa para fazer.

    petalasdeliberdade.blogspot.com

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  18. Olá!
    Adorei sua resenha e a foto está demais, mas não consigo me sentir atraída pra encarar essa leitura.
    Não sou do tipo que gosta de nenhum tipo de Ismo, mas acho que a trama traz bons pontos para reflexão, mesmo a gente sabendo que está longe de mudar a opinião da sociedade, é interessante ter esse tipo de obra.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  19. Oi, tudo bem?
    Eu vi algumas pessoas comentando sobre esse livro recentemente e achei a proposta muito interessante. Adorei a premissa e fiquei muito curiosa para ler.
    Tem livros que nos deixam um pouco indecisos mesmo, mas, pela sua resenha, deu para perceber que é uma leitura que vale a pena. Adorei saber sua opinião sobre o livro e fiquei ainda mais curiosa para ler.
    Beijos!

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  20. Acho que o mais interessante de tudo é a questão da inversão dos papeis na questão do poder. Acho que estou bem em um momento para ler um livro assim, diferente e original e acho que essa leitura pode agregar bastante.
    beijos

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  21. Estou lendo este livro, na metade, e estou adorando! São tantas personagens femininas que não tem como não se identificar com alguma delas. Curiosa para entender do que se trata a contagem de anos...

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