11 junho 2018

Resenha: Uma estranha em casa – Shari Lapena

em 11 junho 2018

17 comentários

Karen Krupp acorda no hospital, sem ter a menor ideia de como foi parar nele. Tom, seu marido, diz que a porta estava destrancada quando ele entrou em casa, as luzes acesas, e que a esposa provavelmente saiu às pressas quando estava preparando o jantar, pelo que ele viu na cozinha. Karen perdeu o controle do carro enquanto dirigia a toda a velocidade e bateu de frente num poste. O mais estranho: o acidente aconteceu num dos bairros mais perigosos da cidade.

A polícia suspeita de que Karen esteja envolvida em algo obscuro, mas Tom tem certeza de que não. Ele está casado com ela há dois anos, conhece muito bem a mulher. Será mesmo? Vai perguntar tudo a Karen quando chegar ao hospital, depois de dizer que a ama e que está feliz por ela ter sobrevivido, é claro. Mas Tom não obtém resposta nenhuma, porque ela não se lembra de absolutamente nada.

* Livro de acervo pessoal da blogueira * 

"Seu lugar não é aqui. Ela sai correndo pela porta dos fundos do restaurante abandonado, tropeçando na escuridão."

Depois de um terrível acidente de carro, Karen Krupp acorda no hospital sem lembrança alguma do que aconteceu a ela. Seu marido Tom está confuso, por que sua mulher sofreu um acidente tão grave, numa parte tão perigosa da cidade? O que ela estava fazendo lá?

Estas são as mesmas perguntas que os detetives estão fazendo. A princípio, o acidente era considerado como mais uma ocorrência comum de trânsito. Mas as coisas começaram a ficar incomodamente suspeitas quando analisadas detalhadamente. A velocidade em que o carro estava quando se chocou com o poste, o local do acidente, uma parte decadente e perigosa de Nova York, a vítima, uma mulher jovem, recém casada, sem conexão alguma com o lugar, uma mulher que não havia em sua ficha nenhuma mancha, nem uma multa por estacionar errado ou ultrapassar o limite de velocidade.

O livro narrado no presente, em pontos de vista dos personagens, nos apresenta um mistério logo na primeira página. Karen sofre um acidente e está sem memória. Não pode contar o que houve. E quando não parece que as coisas poderiam piorar, a polícia é avisada sobre um cadáver encontrado a poucos metros de onde ela bate o carro.

Aí o caos começa na vida de nossos personagens. Tom tenta entender tudo o que está acontecendo. Não consegue assimilar que sua vida normal e feliz agora está virada ao avesso. Entra em um constante conflito interno, dividido entre acreditar em sua esposa, ou deixar a desconfiança se sobrepor ao medo. Será que ela matou aquele homem no restaurante? Se não matou, por que estava lá?

"Tom a observa voltar para o carro. Ela está chateada, mas ele não se importa. Isso até lhe dá uma espécie de satisfação perversa. Afinal, é tudo culpa dela."
Para complementar, temos aqui uma vizinha muito preocupada. Brigid mora na casa em frente. É a melhor amiga de Karen. Embora seu casamento com Bob tenha esfriado devido a impossibilidade de engravidarem, ela se mantém unida a ele. Bob é um homem compreensível.

Está sempre a porta, disponível para qualquer coisa que o casal precise. Tom não gosta dessa proximidade. Se sente sufocado e vigiado. Karen acredita que a amiga quer apenas ajudar, embora não compartilhe com ela nada de relevante quanto a sua vida. Antes do casamento. Seu passado. Tampouco Brigid. Ela esconde muitas coisas.


"Deveria haver mais igualdade entre amigas. Para Brigid, Karen não se dedica à amizade delas como poderia. Brigid batalhou muito por essa amizade. Karen nem imagina como foi difícil. O que ela precisou engolir. [..]
Muitas vezes, ficou tentada a abrir o jogo, mas sempre se segurou."

Eu gostei da maneira que a autora entrega esta história, embora seja bastante previsível em alguns momentos. Quem lê muito suspense, consegue a partir de certo ponto na leitura, adivinhar os rumos que os personagens vão tomar.  Você fica curioso para confirmar as suspeitas e por descobrir um ou outro detalhe que havia passado despercebido.

Com um número de jogadores envolvidos na investigação, o elemento misterioso do livro é bem desenhado. Apesar da previsibilidade, achei uma trama bem escrita. Confesso que o final, com um gancho para uma continuação, me deixou frustrada, não acho que haja assunto para uma continuação, o livro cumpre com o que promete, mas nada de grandioso ou impactante.



17 comentários:

  1. Oi,
    que livro ótimo, eu amo um bom suspense, romance policial, são meus gêneros preferidos, esse livro nem conhecia!
    Adoro personagens que escondem muita coisa, acho que são os melhor hehehehehehe e deixa a obra bem interessante :o Brigid pra mim tem algo super suspeito sei lá.

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  2. Oi Aline!

    Tudo bem? Eu amo a forma como você consegue passar para a gente que tá lendo a sua resenha exatamente o que sentiu lendo.

    Confesso que o fato de a trama ser previsível e possuir um gancho desnecessário para uma continuação me fez ficar sem vontade nenhuma de ler, mesmo você também elogiando a escrita da autora.

    Beijinhos
    www.paraisoliterario.com

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  3. Oi, Aline. Tudo bem?
    Eu conheço esse livro só pela capa, mas só aqui li mais sobre ele e gostei muito. Parece bem intrigante, apesar daquela observação de ser um pouco previsível. A depender da história isso meio que estraga. Mas pelo que vejo não foi esse o caso, né?

    Bjão,
    Diego França | ~ Vida & Letras
    www.vidaeletras.com.br

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  4. EU NAO TO CRENDO QUE TEM GANCHO PRA CONINUAÇÃO! To lendo esse livro agorinha e to um pouco receosa, apesar de ser estar gostando bastante da leitura, meu medo é que o final seja abrupto demais, porque previsivel já sei que será ne? Hahaha

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  5. Oi Aline, tudo bem?
    Esse livro! Eu peguei para leitura muito empolgada, como dizem, com grande sede ao pote e acabei achando meio repetitivo e com situações muito fora da realidade que eu esperava. Ainda assim não foi uma leitura ruim.
    Não digo que o que me desanimou foi ser previsível, mas algumas enrolações constantes a cerca dos fatos.

    Bom... O livro traz uma leitura fácil e que não tem grandes surpresas.

    Beijos.

    www.alempaginas.com

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  6. Apesar de gostar de livros de suspense, não me recordo de visto algo sobre esse livro antes. Bom saber que a trama apesar de previsível compensa ser lida. Quem sabe um dia eu dê uma oportunidade a essa obra, grata pela dica! Bexus :*

    @prefirolercomcalma

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  7. Oi, Aline!
    Não lembro de ter visto sobre esse livro antes, mas a capa é bem bonita e me chamou um pouco a atenção agora; a sinopse mais ainda. Li poucos livros do gênero policial até agora, mas gosto bastante e fiquei intrigada por descobrir a relação de todos os detalhes do acidente já que aparentemente nada está claro. O fato da mulher ter perdido a memória após ele me deixa bem desconfiada desde agora, aliás. Acho que à medida que se lê muito da temática consegue-se pensar e reconhecer tudo mais rápido mesmo, mas uma pena que antes mesmo disso a história em si já tenha sido previsível e sem nenhuma grande surpresa. O fato de ainda ter uma continuação me desanima de antemão, confesso, rs. Mas valeu a dica mesmo assim! ^_^
    Beijos!

    ♥ Sâmmy ♥
    ♥ Sonhando aos Vinte ♥

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  8. Não conhecia o livro, e apesar de amar suspense, esse não me chamou muita atenção, ainda mais depois que você disse que é bem previsível e tem gancho pra uma continuação... tô passando longe de livros com continuação.
    Mas amei sua resenha!

    Virando Amor

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  9. oii tudo bem ?
    confesso que já vi esse livro e pela capa não tinha me interessado tanto mais depois da sua resenha fiquei curiosa mais estou com um pouco de receio já que a trama e bem previsível mais darei uma chance vai que eu goste não e mesmo ?

    bjs

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  10. Apesar da história não ser arrebatadora nem nada eu fiquei com muita vontade de ler!kkkkkkk... Faz já um tempinho que não leio suspenses e estou sentindo falta. Ultimamente tenho lido muitas resenhas de autores de suspense que eu não conhecia, mas que prometem ótimos livros. O que mais quero ler no momento é A Mulher na Janela, mas também fiquei interessada em Uma Estranha em Casa.

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  11. Oi Aline, como não leio tantos suspenses, talvez eu não saque prontamente os clichês ou a previsibilidade deste enredo, por isso me interessei. Achei a premissa bem interessante mesmo.
    Beijos

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  12. Olá, pela sua resenha me parece ser um bom suspense para passar o tempo, eu fiquei curiosa para saber o desfecho dessa história que me lembrou um pouco de Garota Exemplar.

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  13. Oi, tudo bem?
    Eu li outro livro da autora e gostei bastante, mas o mistério realmente era previsível e foi revelado na metade da trama. Apesar disso, achei a escrita da autora envolvente e estou curiosa para ler esse livro.
    Achei uma pena que você não tenha gostado tanto da leitura, mas gostei da sinceridade da sua resenha.
    Beijos!

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  14. Oi Aline!
    Estava bem curiosa pra saber mais dessa história. Acho que conforme vamos lendo muitos suspenses acabamos por adivinhar algumas coisas né. Mas achei interessante o fato da trama ser bem escrita e cumprir bem o papel com os personagens.
    Sua resenha me deixou com vontade de conhecer mesmo sendo uma história sem tantas surpresas.
    Dica anotada!
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  15. Adoro um bom mistério e já fiquei imaginando o que o cadáver encontrado tem a ver com o acidente de carro. Confesso que mesmo você tendo achado a história previsível é provavel que eu não acertaria, sou péssima nessas coisas. Uma pena que o final tenha te frustrado, pois no geral a proposta é instigante.

    Abraços.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com/

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  16. Oi, tudo bem?
    Raramento leio um mistério, recentemente tenho lido mais, num todo são poucos. Para minha inexperiência no assunto, não consigo imaginar um desfecho, por isso que acho a dica bem válida pra mim. Não conhecia o livro, foi a primeira resenha que li e vou tentar encontrá-lo por aqui para ler. E as vezes também gosto de leituras previsíveis. Adorei, beijos!

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  17. Oi Aline, tudo bem?
    Apesar de não ter o thriller como um de meus gêneros favoritos, me surpreendi com a narrativa bem tramada de Shari Lapena. É de uma escrita simples, sem metalinguagem e/ou uso muito complexo da língua e, ainda assim, não deixa nada a desejar para thrillers maiores e mais complexos. É fato que, ao menos neste livro, fica claro que a autora trabalhou muito mais o desenvolvimento e crescimento das personagens em detrimento de uma narrativa mais abarrotada de acontecimentos e, para mim, essa pareceu uma boa escolha, visto que ela o fez muito bem.
    O único detalhe que me incomodou um pouco foi o último capítulo, onde a autora faz uma espécie de epílogo. A nova personalidade dada por ela à Karen, em meu ponto de vista, enfraquece a narrativa – que, por sinal, fora tão bem construída até então.
    Abraços!

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