Resenha: Bela Gratidão - Corey Ann Haydu

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Um romance sobre amadurecimento e a dureza de crescer em uma cultura que exige das mulheres nada menos que a perfeição. Corey Ann Haydu explora as complexidades da família, os limites do amor e quão duro é crescer em uma cultura que premia a beleza acima de qualquer outra coisa e cobra das mulheres nada menos que a perfeição. Uma leitura atual que dialoga direta e honestamente com a multiplicidade de questões enfrentadas por adolescentes e jovens no mundo todo – a confusão do primeiro amor, os dramas familiares e a construção da própria identidade no meio de toda essa loucura. O livro está cheio de personagens realistas, que tropeçam nos próprios medos e cometem erros com alguns dos quais é impossível não se identificar. Montana e sua irmã Arizona têm um pacto desde que a mãe as deixou: São elas duas contra todo o mundo. Com o pai sempre imerso em relacionamentos tóxicos e uma sucessão de madrastas essa foi a maneira que encontraram de seguir em frente. Mas agora que Arizona foi para a faculdade Montana se sente deixada pra trás e perdida, mergulhando em uma amizade vertiginosa e empolgante com a ousada Karissa. No meio disso tudo, Montana encontra uma distração em Bernardo. Resta saber se Montana têm a confiança necessária no que sentem um pelo outro para encaixar Bernardo na sua vida imperfeita.

 *Livro recebido em parceria com editora* 


"Parece idiotice querer ser a pessoa mais importante na vida de alguém. Mas sei que outras pessoas têm isso. Então não vejo motivo para que eu também não possa."

Montana tem uma vida em constante mudança, mas não boas mudança. O pai dela um cirurgião renomado muda de esposa como troca de roupa e é nessa nova troca que encontramos Montana.

Filha de um pai perfeccionista, que esta sempre em busca de aperfeiçoar e achar a mulher perfeita, a adolescente se vê constantemente decepcionada e principalmente não se sente perfeita para os padrões do seu pai. Ela e sua irmã, Arizona são uma frente unida contra as constantes trocas de esposas de seu pai. Ambas foram abandonadas pela mão muito cedo e o reflexo de tudo isso comanda uma boa parte de suas vidas.

Montana se vê solitária sem sua irmã e a melhor amida de ambas, as duas estão na faculdade vivendo suas próprias vidas, enquanto que ela foi “deixada” para trás. Assim ela encontra uma nova amiga, Karissa, uma mulher mais velha, que lhe apresente um estilo de vida descontraído e que parece entender seu sofrimento. Ela conhece também Bernardo, com que pode compartilhar suas duvidas e angustias e ambos começam a namorar.

“Eu passo tanto tempo pensando no que há de errado comigo, me perguntando por que eu não sou uma irmã boa o suficiente ou amiga ou filha ou pessoa, que a ideia de ser boa é um pouco insuportável.”
O pai está entre casamentos e prometendo não repetir o mesmo erro, mas para desespero de Montana é em Karissa que seu pai aposta agora a sua tão esperada felicidade e família perfeita. Karissa não é lá a melhor amiga e nem mesmo a pessoa que Montana imaginou.


Bela Gratidão poderia ter sido um livro que realmente abordasse temas relevantes, já que a personagem é uma adolescente de 17, uma fase complicada por si só e com os agravantes da criação nada convencional e valores que o pai dela passa, o livro poderia ter ido além, mas acabou se perdendo na chatice da personagem. Montana, apesar de seus problemas reais, em muitos momentos é egoísta e incapaz de querer a felicidade para os outros, sempre se lamentando, se recente constantemente que sua irmã e amiga em comum estão levando suas vidas adiantes e mesmo sabendo das atitudes um tanto quando estranhas de Karissa, se aproxima mais e mais dela, como se quisesse trazer um sofrimento maior para si. Com um pai cego, egoísta e muito permissivo Montana usa e abusa das drogas, chegando bêbeda em casa algumas vezes até na presença do pai, que pouco parece ligar.



Esse foi um dos pontos que me incomodaram no livro, não o fato de menores beberem ou usarem drogas, isso acontece rotineiramente, mas a maneira rasa e fraca como a autora abordou o assunto.

Outra coisa que me incomodou foi que um livro com mais de 400 páginas não concluía nada do que começava, tudo ficava meio disperso, não tinha solução, não vi amadurecimento em Montana e a personagem que parecia mais madura do livro, sua irmã Arizona, mesmo essa a autora escorregou. Bernardo que parecia ser um porto seguro para montando, já lá pro final do livro acaba passando do ponto com uma ideia fixa de felizes para sempre. Montana mais me deu irritação do que me fez ter empatia por ela e sua situação. E eu tentei, com força.


"Eu sou um território. Eu sou uma coisa na qual as pessoas colocam bandeiras. Querem declarar que pertenço a elas. Isso é uma coisa totalmente nova. Eu estou acostumada a ser uma coisa abandonada. Uma meia esquecida ou um brinquedo que já não se quer mais, uma lembrança vaga e simbólica de uma época da sua vida".

O livro é narrado em primeira pessoa, pelo ponto de vista de Montana e em alguns pontos de mudança na história ela anota em seu diário os motivos de gratidão daquele dia.

Um livro que queria dizer muito, cheio de frases de efeito e que no fim faltou passar a sua mensagem sobre mudanças e as coisas pequenas e boas que a vida pode oferecer no meio de delas, sobre como crescer e aprender com as coisas não tão boas que acontecem na vida da gente.



14 comentários

  1. Oi Fernanda, tudo bem? Comecei a ler a resenha bem empolgada porque o tema é bem bacana, mas livro grande desnecessariamente me desanima e protagonistas chatas tb é difícil de aguentar. Uma pena, poderia ter sido melhor....

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. Percebi que muitos livros estão na faixa dos 17 anos e eu até gosto dependendo da autora senão fica como você disse, vira a chatice e a monotonia do personagem o que deixa a leitura super pesada. Mas gostei da sua resenha pois explicou bastante sobre as questões do livro, porque exigem tanta perfeição?

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  3. Ai, Fernanda!
    Que triste!
    Antigamente eu era apaixonada por livros infanto-juvenis, mas ultimamente tenho evitado esse tipo de leitura, porque os adolescentes retratados estão chatos demais, mimizentos demais...
    Bom saber que esse livro é assim. Não pretendo passar nem perto!!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  4. Oi Fernanda
    Primeiro quero agradecer a resenha, pois passarei longe dessa história. Triste quando o autor se perde, não concluí nada e não passa uma mensagem. Que adianta frases de efeito se o livro não é bem construído. Pior não ter simpatia pelo personagem principal é de nos perguntarmos como algo assim foi aprovado por editor.

    Desejo melhores leituras. Bjos Elisandra.

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  5. Olá Fernanda.
    Nossa, comecei a ler a resenha e de cara fui me empolgando. Que pena que a leitura do livro não foi bem construida. Gosto de histórias que os personagem crescem e amadurecem, o que não foi o caso da protagonista aqui né. Sua resenha transmite exatamente o que você sentiu ao ler o livro.
    Bjos

    www.momentosdeleitura.com

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  6. Acho a capa desse livro linda, mas todas, TODAS mesmo, resenhas que leio falam do quão tedioso ele é. Não gosto de personagens vitimistas e Montana bem parece isso e não abordar corretamente os assuntos propostos pelo livro só deixa tudo ainda mais banal. Passamos a dica, mesmo com as frases de efeito que eu amo rsrs.

    Abraços.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  7. Oi, Fernanda!
    Uma pena que a autora não soube fazer seus personagens evoluírem. É quase como se ela quisesse mostrar que a realidade é assim e não existe nada que possa mudar. Uma realidade nua e crua, sem esperança. Eu hein, não curto livro assim.
    Além do mais, empatia também tem seu limite. A pessoa pode falar de suas tristezas por um tempo, mas se fazer de vítima o tempo todo cansa demais!
    Realmente, uma pena.
    bjs
    Lucy - Por essas páginas

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  8. Oii Fernanda, tudo bem? Gostei da sua resenha! Esse livro me pareceu um pouco confuso... Não sei se leria. Provavelmente iria ter dificuldade em me ligar com os personagens (gosto de personagens bem construídos) e me irritar com os mesmos pontos que você.

    Beijos!!

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  9. Poxa, que chato!!!
    Eu na verdade não conhecia a obra mas agora nem quero mais conhecer.
    Me incomoda mito livros que não dão solução a casos dentro do enredo, que deixe coisa faltando e tudo o mais.
    Vou deixar essa dica passar então.

    Beijinhos

    #Ana Souza
    https://literakaos.wordpress.com

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  10. Olá, que pena que a história que poderia trabalhar com tantos temas importantes como a família desestruturada da protagonista acabou se perdendo no decorrer do enredo. Pela sua resenha, é uma leitura que eu não me animaria a fazer.

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  11. Oi, tudo bem?
    Corajosa ter terminado esse livro, eu demorei um tempão, não aguentei. A personagem é muito chata! E achei a leitura muito arrastada, ficava lendo horas e desenvolvia poucas páginas. Bem complicado, tanto que nem me animei de fazer resenha. Adorei sua sinceridade, merece mesmo duas estrelas. Beijos

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  12. Olá Fernanda,
    Eu estou com esse livro e um outro da autora em casa para ler, mas não pretendo ler tão em breve por conta de todas as resenhas negativas que li dele. Eu não achei nada legal a história ter se perdido na chatice da protagonista, apesar de ter temas interessantes a abordar, sabe?
    Acho que não estou na vibe desse livro também rs.
    Beijos,
    http://www.umoceanodehistorias.com/

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  13. Que pena que foi uma leitura com tantas ressalvas, Fernanda. Realmente livros com abuso de drogas e álcool deve ter um abordagem mais responsável, e se tem uma coisa nessa vida que eu abomino é egoísmo, então eu ia passar raiva com essa personagem, viu?!

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  14. Olá, tudo bem?

    É uma pena quando o livro nos decepciona assim, ainda mais quando aborda assuntos tão importantes e não faz valer a pena, tornado o livro vazio (e por abordar uma temática importante de modo inadequado, desnecessário). Se tem algo que também me incomoda muito em livros, é isso, o fato de mexerem com temas importantes e deixarem o livro vazio. É tenso...

    Beijo!
    Ana.

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